ESTREIA–Aposentados levam calote e roubam banco em “Despedida em Grande Estilo”

Atores Alan Arkin, Michael Caine, diretor Zach Braff e ator Morgan Freeman no tapete vermelho da premiere do filme "Despedida em Grande Estilo" 30/03/2017 REUTERS/Mike Segar

SÃO PAULO (Reuters) - Após receber uma informação sobre o aumento exorbitante de sua hipoteca, Joe (Michael Caine) faz uma visita ao seu banco e descobre duas coisas.

A primeira é que o valor está correto, pois acabou uma promoção qualquer que mantinha os juros baixos, explica o gerente (Josh Pais), sem o convencer. A segunda é que não é tão difícil assim roubar um banco, conforme ele mesmo presencia, quando um trio armado entra na agência e, poucos minutos depois, sai de lá com malas abarrotadas de dinheiro.

Inspirado na comédia homônima de 1979, “Despedida em Grande Estilo” começa de um comentário social sobre crise financeira e aposentadoria para fazer um humor leve e ingênuo, que se salva pela presença de Caine, Morgan Freeman e Alan Arkin, como o trio de assaltantes que planeja assaltar um banco sem a menor ideia de como se faz isso.

Amigos de longa data, todos são aposentados após trabalhar por décadas numa metalúrgica em Nova York. Com suas pensões atrasadas e dívidas ameaçando suas vidas, eles são avisados de que a empresa se mudará para outro país e não pagará mais seus pensionistas, pois estando sediada fora dos EUA não tem mais essa obrigação.

Ao mesmo tempo, eles leem no jornal que os fundos dessa mesma indústria serão pagos ao mesmo banco que ameaça tirar a casa de Joe. Mais do que um roubo para poder saldar os débitos, isso se torna uma vingança pessoal contra as duas instituições.

Zach Braff (“Hora de Voltar”) dirige sem deixar qualquer marca pessoal em “Despedida em Grande Estilo”. Mas também não atrapalha o trio central, que brilha por conta própria, tirando mais do que os personagens têm a oferecer, num roteiro preguiçoso, com momentos divertidos, mas sem se esforçar além do básico.

E Caine, Freeman e Arkin são a razão para se ver o filme.

Nenhum deles foge muito daquilo que cada ator já interpretou antes e sabe fazer de melhor. Joe é bonachão e sagaz, e acolheu a filha (Maria Dizzia) e a neta (Joey King) em sua casa para que a mãe possa pagar uma escola melhor para a garota com o dinheiro que economiza de um eventual aluguel.

Em seu personagem Willie, Freeman usa o seu mais fino cinismo, mas também é carinhoso com a filha e a neta que moram longe, com quem mantém uma relação por Skype.

O personagem de Arkin é o rabugento Alberto, que sonhou em ser saxofonista e hoje ganha uns trocados dando aulas a adolescentes sem talento. Até que a avó de um deles (Ann-Margaret) se interessa por ele e começa a flertar, embora ele resista ao seu charme.

Entre as trapalhadas do grupo há bons momentos --especialmente numa primeira tentativa de assalto a um pequeno mercado. Matt Dillon comparece numa ponta como um detetive. Mas o que se destaca mesmo é o talento do trio central, embora sem sair da zona de conforto.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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