ESTREIA–John Malkovich lidera elenco do drama musical “Variações de Casanova”

John Malkovich posa no Festival de San Sebastian 22/9/2014 REUTERS/Vincent West

SÃO PAULO (Reuters) - “Variações de Casanova”, do diretor austríaco Michael Sturminger, é o cruzamento de várias linguagens artísticas para contar uma história possível – e, por isso mesmo, fragmentada - do célebre libertino e cortesão italiano Giacomo Casanova (1725-1798).

O maior trunfo do filme, que chega ao Brasil com um atraso de três anos, é contar com o veterano ator norte-americano John Malkovich para compor o personagem, que se ajusta à perfeição nesta visão de um Casanova envelhecido, cínico e isolado, no final de sua vida, como bibliotecário no castelo de um duque, na Boêmia (atualmente, na República Tcheca).

Para representar essa versão do conquistador recorre-se a recursos como a ópera – e são vistos diversos trechos de árias, das óperas “As bodas de Fígaro”, “Don Giovanni” e “Cosí Fan Tutte”, de W.A. Mozart, com libretos de Lorenzo Da Ponte, representados no teatro São Carlos em Lisboa. Alterna-se esta encenação musical com sequência paralela, mostrando a visita a Casanova de uma escritora, Elisa Von der Recke (Veronica Ferres), em 1798.

Malkovich e Veronica são vistos tanto na ópera quanto nestas cenas atuadas, contribuindo para a mescla entre as artes desejada pelo diretor. Em outros momentos, há interferência na ópera de uma espectadora (Maria João Bastos), que em determinado momento conversa com Malkovich sobre seu filme “Relações Perigosas” (88), em outro recurso destinado a brincar com as

fronteiras entre encenação e realidade.

Uma arte olha para a outra também quando ganham vida na ópera certos incidentes escandalosos das memórias sendo escritas por Casanova e lidas por sua visitante. Num deles, o sedutor está para casar-se com a jovem Leonilda (a cantora lírica Kerstin Avemo) quando chega a mãe dela (Fanny Ardant), bem a tempo de esclarecer um detalhe escabroso do passado em comum.

Unindo teatro, cinema, literatura e piscando o olho ao espectador para que participe da brincadeira, o diretor explora com bastante ironia nuances de seu herói amoral e, para a sensibilidade moderna, um tanto machista. Mas, de todo modo, não se perde de vista a natureza rebelde de seu espírito, decididamente investido de liberdade para ir ao encontro de todos os seus desejos.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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