Estudante de arquitetura ganha prêmios com proposta de mudar Nova Iguaçu

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Um projeto inovador e premiado, que mudaria a cara do Centro de Nova Iguaçu, deu o que falar para quem gostaria de ver uma Baixada mais moderna e bonita. Estudante de arquitetura, o iguaçuano Rafael Souza elaborou como trabalho de conclusão de curso um modelo de requalificação do eixo ferroviário que divide a cidade, integrando os dois lados da região. Além da aprovação no curso, o projeto de Rafael foi reconhecido nacionalmente, sendo premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, no prêmio 37° Arquiteto do Amanhã, e também internacionalmente: foi laureado pelo ArchDaily, um dos maiores e principais sites sobre arquitetura do mundo.

Nascido e criado em Nova Iguaçu, Rafael Souza sempre foi apaixonado pela cidade, mas, desde jovem, se incomoda com as “cicatrizes” na paisagem: a Rodovia Presidente Dutra, a Via Light e a linha férrea acabam dividindo a cidade, impedindo uma maior integração urbana. Quando optou pela graduação, ele já tinha como ideia o projeto de revitalização do Centro, para propor uma nova cara para a região que tanto gosta:

— A ideia do projeto nasceu desse olhar de morador e de querer uma mudança positiva e que torne mais atrativo e aconchegante esse ambiente. Você já parou para pensar que a cidade é o seu quintal?

O trabalho propõe três modelos de intervenção. O primeiro é ocupar o espaço aéreo da linha férrea. O segundo elevaria a linha, integrando os dois lados e criando um espaço de lazer e circulação. O terceiro seria rebaixar o eixo ferroviário, como se fosse uma estação de metrô — algo semelhante ao que foi feito no Centro do Rio, quando retiraram o antigo Elevado da Perimetral, construindo o túnel Marcelo Allencar e criando espaços de lazer e circulação, como o Boulevard Olímpico e a Praça Mauá.

— Todos as propostas têm suas vantagens. Com a ocupação do espaço aéreo, teríamos uma espécie de parque elevado integrando a cidade nos moldes do highline de Nova York. Com a elevação da linha férrea, haveria permeabilidade visual, parecido com o que foi feito na estação de Manguinhos. O projeto de mergulhar a linha férrea é um dos pontos-chaves, pois a Praça da Liberdade seria totalmente aberta. Quando você chega à Nova Iguaçu hoje, só vê muros.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano informou que a proposta é, na sua essência, uma discussão acadêmica de alternativas recorrentes e já discutidas, que visam a reduzir ou eliminar a barreira física e a segregação espacial na área central da cidade. “Elas podem ser classificadas como polêmicas e até utópicas quando avaliados os investimentos necessários para sua concretização. Contudo, são proposições viáveis do ponto de vista técnico e que introduziriam transformações extremamente positivas”, disse o órgão. Por fim, a secretaria parabeniza o arquiteto, pois acredita que o principal mérito do trabalho seja trazer a pauta para discussão nos vários segmentos da sociedade.

Moradores aprovaram as ideias

No Centro, moradores que frequentam a Praça da Liberdade aprovaram a ideia de uma revitalização no local e torcem para que a prefeitura adote uma das ideias. O encarregado de manutenção Dejair Rodrigues, que joga carteado com os amigos na praça, gostaria de ver melhoria.

— Aqui é um lugar muito amontoado. Essa linha do trem cheia de propaganda e próxima da calçada dá um visual feio. Seria muito bom se a gente pudesse ir e vir para o outro lado sem precisar subir essas escadas todas. Desde que moro aqui nunca vi uma melhoria, em 50 anos.

Morador de rua e que costuma passar as noites na praça, José Toledo, de 49 anos, reclama da sujeira e maus cuidados das pessoas com o local. Sempre que pode, ele, que tem uma vassoura entre seus poucos pertences, varre a parte da praça onde monta acampamento e torce por obras:

— Eu podia conseguir vaga de ajudante de pedreiro e alugar um cantinho para mim.