Estudante ataca professor com faca em escola pública de São Paulo

DHIEGO MAIA
SÃO PAULO, SP, 19.09.2019 – ATAQUE-SP: Fachada do Ceu Aricanduva, na zona leste de São Paulo – um aluno de 14 anos esfaqueou um professor de Geografia e em seguida o mesmo perfurou seu abdômen, nesta quinta-feira (19). (Foto: Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um estudante de 14 anos esfaqueou um professor e, na sequência, desferiu contra si uma facada nas dependências do CEU (Centro Educacional Unificado), de Aricanduva, na zona leste da capital paulista.

O ataque foi registrado por volta das 9h20 desta quinta-feira (19). As facadas atingiram a região do abdômen do professor e do adolescente.

O adolescente foi levado pelo helicóptero Águia, da PM, ao Hospital das Clínicas, no centro da cidade.

Já o professor, que não teve o nome divulgado, recebeu os primeiros atendimentos no Pronto-Socorro Jardim Iva e, depois, foi encaminhado ao Hospital Estadual de Vila Alpina, também na zona leste.

O estado de saúde do aluno é considerado estável. Já o professor passava por cirurgia e seu quadro clínico foi classificado como grave.

Testemunhas disseram à polícia que o adolescente escondeu a faca debaixo da manga de sua camiseta. Ele aproveitou a troca de aulas, esfaqueou o professor no corredor e retornou à própria sala de aula, onde desferiu uma facada contra si.

Policiais do 66º DP (Vale de Aricanduva) estão no centro educacional para investigar as motivações do ataque. O adolescente, que cursa o 7º ano do ensino fundamental 2, não tinha histórico de problemas na unidade escolar.

O CEU Aricanduva foi fechado para o atendimento da ocorrência e trabalhos dos peritos da Polícia Civil.

A unidade de Aricanduva integra uma rede de 46 CEUs espalhados pela periferia de São Paulo. Foi inaugurada em 2003 e está sob a gestão da prefeitura.

A Diretoria Regional de Itaquera, a responsável pela administração do CEU Aricanduva, informou por meio de nota que enviou equipes de saúde para realizar atendimento psicológico aos estudantes, aos professores e aos servidores.

Uma pesquisa lançada recentemente mostrou que 52% dos estudantes da rede pública não se sentem seguros no colégio, principalmente meninas e negros.

A ONG Visão Mundial, que tem projetos na área da infância e adolescência, entrevistou 3.814 alunos de 9 a 17 anos em agosto e setembro de 2018, em 67 escolas públicas de sete municípios onde atua no país, sobretudo no Nordeste.

Um terço dos estudantes que responderam à pesquisa já teve aulas canceladas por tiroteios ou outros riscos externos. A mesma proporção também já foi alvo ou vivenciou efeitos da violência urbana, assim como já sofreu ameaças de abuso físico no colégio.

Já as brigas entre alunos são frequentes para 84% dos entrevistados.

MASSACRE DE SUZANO

Casos de violência dentro de escolas têm se proliferado no estado de São Paulo. O maior e o mais recente atentado completou seis meses neste mês.

Na Escola Estadual Prof. Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, o ex-aluno Guilherme Taucci, 17, e mais o seu comparsa, Luiz Henrique de Castro, 25, entraram na escola armados e executaram um massacre no estilo dos ocorridos nos EUA.

A dupla de atiradores aproveitou o intervalo na manhã daquele 13 de março e matou a tiros cinco estudantes e duas funcionárias; antes de chegarem à escola, haviam matado um empresário, tio de Guilherme.

Ao final do massacre e percebendo a chegada da polícia, Guilherme matou seu comparsa e se suicidou.

O Brasil havia sido palco de uma chacina semelhante em 2011 que deixou 12 estudantes mortos, além do atirador, que se suicidou, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro.