Estudante autista é agredido em ônibus quando voltava da escola no Rio

Um estudante autista de 16 anos foi agredido dentro de um ônibus em Maricá, na Região Metropolitana do Rio, quando voltava da escola para casa na tarde desta quinta-feira. O adolescente fazia sozinho o trajeto de cerca de 10 minutos quando três rapazes o abordaram, derrubaram e bateram nele. Ele ficou com hematomas no pescoço e na cabeça, além de cortes nos lábios. Segundo a mãe, a vítima está em estado de choque.

Rosane Réde, de 48 anos, conta que faz pouco tempo que passou a permitir o filho ir e voltar da escola sozinho, para dar mais autonomia, a pedido dele. O combinado é que a mediadora do jovem o coloque no ônibus e ele avise a Rosane quando chega em casa. O percurso diário entre o Centro, onde ele cursa o 8º ano do Ensino Fundamental no Centro Educacional Joana Benedicta Rangel, e a casa da família, em São José, é feito num dos ônibus da EPT (Empresa Pública de Transporte). Rosane conta que o filho não conhecia os agressores.

— Sempre o acompanhei. Mas por ser muito grande, ele estava se sentindo constrangido e queria começar a ser mais independente. E passou a vir da escola sozinho agora. E ontem estava o tempo chuvoso. A mediadora me ligou porque ele estava sem sombrinha. Eu pedi para deixá-lo um pouco mais de tempo lá na escola, para ver se a chuva ia diminuir e ele vir para casa. Ele pegou o ônibus, e dentro havia três caras sentados lá trás, Começaram a puxar o short dele, aí ele ficou envergonhado, querendo se defender, né? Reclamou com um deles. E os três começaram a dar socos nele. Eles o jogaram no chão do ônibus. Bateram, machucaram a boca dele toda com socos. Ele está com a orelha roxa e cortada. Pegaram o óculos dele, o fone de ouvido também.

O trajeto feito ontem pelo estudante era diferente do habitual. Foi uma opção para evitar brigas após um outro episódio que o deixou assustado esta semana:

— Na segunda-feira, meu filho tinha encontrado outros meninos de uniforme, e eles falaram que era para voltar para casa porque não tinha aula, mas eram de uma escola diferente. Ele ficou com medo de implicarem com ele e decidiu mudar o trajeto para outra rua, com outro ônibus. Foi quando encontrou os outros agressores ontem, com medo de sofrer outra represália na rua — lamenta.

A mãe do jovem conta que as agressões somente pararam quando uma passageira interveio. A mulher, que vai servir como testemunha no registro do boletim de ocorrência a ser feito nesta sexta-feira, disse que o motorista seguiu viagem normalmente. Foi ela quem teria afastado o grupo, cuidado do estudante e conseguido recuperar os óculos e o fone de ouvido que ele carregava e tinham sido pegos pelos agressores.

— Uma passageira tomou a frente. Ele o pegou do chão, deu o lugar dela para ele, limpou o rosto dele e o trouxe até a minha casa junto com uma outra mulher — diz Rosane.

A mãe percebeu que algo de errado tinha acontecido com o filho porque ele não seguiu o combinado no dia. Todas as vezes, enquanto Rosane, que cursa faculdade de serviço social, está em aula, ela espera que o jovem a avise pelo celular que chegou em casa. Nesse dia, apesar das insistentes ligações, ele não atendeu.

— Eu liguei, liguei... Não sabia. Ele não atendia. Eu liguei para a minha vizinha, e ela veio aqui em casa. A minha preocupação era que o portão está com defeito e achei que ele estava do lado de fora na chuva. Pedi para que ela olhasse. Ela veio aqui na rua, não encontrou ele, viu que a luz do quarto estava acesa, e disse que ele estava em casa, que deveria estar dormindo. Continuei ligando e ele me atendeu, pediu desculpa pela demora. Ele me disse que estava tudo bem. Quando cheguei em casa, às 22h20, que fui ver. Ele em estado de choque, não conseguia falar, todo trêmulo e todo machucado, a boca toda machucada — conta.

Rosane contou o que aconteceu a uma amiga, também mãe de um jovem com autismo, e foi aconselhada a entrar em contato com a polícia para o registro. Por telefone, o policial de plantão indicou a ida à unidade. No local, a delegada fez o encaminhamento para exames, feitos na mesma noite e que serão anexados ao boletim de ocorrência.