Estudante de PE denuncia gestor de escola por transfobia e intolerância religiosa

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A aluna, de 17 anos, usou de sua página em rede social para expor preconceito vivido no último ano; caso aconteceu em escola estadual localizada no município de Itapissuma, no Grande Recife
A aluna, de 17 anos, usou de sua página em rede social para expor preconceito vivido no último ano; caso aconteceu em escola estadual localizada no município de Itapissuma, no Grande Recife

Texto: Victor Lacerda | Edição: Lenne Ferreira 

  • Aluna da rede de ensino público de PE, aluna tem 17 anos e foi impedida de usar banheiro feminino

  • Colegas da escola organizaram ato contra decisão da direção do gestor

  • Além de não poder usar banheiro, estudante foi afastada de atividades em que desempenhava função de liderança

  • Protesto levou Secretaria de Educação a instalar banheiro para pessoas não binárias na escola

O pouco de acolhimento que sentia fora de casa passou a ser sinônimo de retaliação e preconceito sobre a identidade de uma jovem trans estudante do Grande Recife. A aluna, de 17 anos, usou sua página na rede social como uma janela de desabafo sobre a falta de respeito em relação a sua identidade com a chegada de um novo gestor de religião evangélica, que assumiu neste ano a instituição estadual onde estuda, no município de Itapissuma.

Com quase 7,2 mil visualizações, o vídeo gerou mensagens de apoio à estudante, que após a chegada do diretor, em episódio na última semana, foi impedida de usar o banheiro feminino. No relato, a jovem conta que um funcionário da escola, orientado pelo superior, informou que o espaço “não era banheiro de homem”, pedindo para a estudante se retirar e ir direto à sala do gestor.

"Ele chegou na ignorância, dizendo que lá não era lugar de homem. Eu simplesmente olhei para um lado e para outro e perguntei se tinha algum homem ali. Ele respondeu dizendo que eu era homem e deveria estar no outro banheiro. Falei que não. Não sou homem, sou uma mulher”, relatou em vídeo.

A aluna conta que o diretor a informou que ela não poderia continuar acessando o banheiro feminino como ocorria anterioriormente. Também estaria impedida de participar da fila feminina durante as refeições e ainda seria afastada das atividades que liderava.

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"Ele falou que eu era uma aluna exemplar, estando de frente de vários projetos da escola, só por ter entrando no banheiro feminino, seria afastada de tudo isso. Só fiquei balançando a cabeça, por dentro eu não conseguia dar nem a resposta que eu gostaria de dar", conta em publicação.

No vídeo, a jovem afirma ter ficado surpresa com a notificação do gestor e só soube como reagir, chorando com as colegas, após que saiu da sala onde houve o informe.

Como resposta, os alunos que se solidarizaram com a colega, realizaram um protesto a favor do direito da estudante enquanto uma garota trans. Com faixas, apitos e cartazes, os alunos da instituição, identificada como Escola de Referência em Ensino Médio Professora Euridice Cadaval, cobraram mudanças na condução da gestão da instituição e reavaliação do diálogo de atendimento às demandas dos estudantes, a fim de para chamarem a atenção da Secretaria Estadual de Educação (SEE).

Os estudantes aproveitaram para relatar mais um ponto reforçado durante a publicação do desabafo da jovem: intolerância religiosa dentro da escola. Um evento realizado anualmente entre os professores e alunos para tratar da diversidade religiosa passou a ser chamado, neste ano, de “Festival Cristão”, eliminando as outras formas de manifestação de fé dos estudantes, como a Umbanda, religião da jovem que também sofreu transfobia.

Em resposta aos ocorridos, a Secretaria se manifestou em nota encaminhada à imprensa afirmando que abriu um processo de investigação administrativa dos fatos, garantindo que uma comissão estava acompanhando o caso e apurando informações com todos os envolvidos.

Na última quarta-feira (3), a Secretaria de Educação, após reunião com o conselho escolar, decidiu implementar um banheiro que não questionasse os alunos enquanto binaridade, masculino e feminino, abrindo espaço para novas identificações de gênero dentro do ambiente escolar.

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