Estudante morta na Região Serrana do Rio foi intoxicada por gás do aquecedor, aponta laudo do IML

O laudo do exame de necropsia realizado no corpo Beatriz Castro Mendonça, de 23 anos, aponta que a causa da morte da estudante foi intoxicação por monóxido de carbono. De acordo com as investigações da 110ª DP (Teresópolis), a principal suspeita até o momento é que ela tenha sido vítima de um acidente doméstico, em decorrência de problemas no aquecedor a gás da água localizado dentro do banheiro no apartamento onde passava uma temporada, na Região Serrana do Rio.

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Segundo o inquérito, o cadáver foi encontrado por uma amiga da vítima na banheira, na noite do último dia 9. Ela acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, ao chegar ao imóvel, uma médica atestou o óbito e ligou então para a Polícia Militar, que chamou agentes da 110ª DP. Na residência, foi feita uma perícia por profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

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Na delegacia, testemunhas estão sendo ouvidas e diligências estão sendo realizadas para esclarecer a dinâmica da morte. De acordo com o perito Nelson Massini, professor titular Medicina Legal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), provavelmente havia problemas no sistema de exaustão do gás residual da queima do monóxido de carbono no aquecedor:

— Em problemas como esses, em que o aquecedor de água fica dentro do banheiro, em um minuto, as vítimas têm a perda da consciência, em três têm a morte cerebral e em dez a morte completa — paradas cardíaca e respiratória. Nessa fatalidade, muito embora o local tivesse uma boa ventilação, naquela ocasião estava frio e ventava muito, o que pode ter levado a vítima a fechar a janela, impedindo a renovação do ar ambiente e gerando acúmulo do gás tóxico.

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Na noite de 22 de junho do ano passado, um casal foi encontrado morto num apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio. Os corpos de Mateus Correia Viana e de Nathalia Guzzardi Marques, ambos de 30 anos, estavam no box do banheiro de um imóvel na Avenida Bartolomeu Mitre.

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No mês seguinte, um relatório da perícia feita por profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) concluiu que eles foram vítimas de “inalação contínua em ambiente enriquecido por monóxido de carbono” em decorrência da ação de combustão do aquecedor de água instalado no banheiro sem a observação das chamadas Normas Técnicas Brasileiras (NBR).

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Testes realizados no local, visando reproduzir o funcionamento do equipamento, apontaram para o aumento da concentração de monóxido de carbono ao nível 50 vezes superior ao máximo esperado e cerca de sete vezes a concentração limite de exposição ambiental no trabalho. Os dados indicaram uma falha do processo de exaustão dos gases de combustão do aquecedor.