Estudante que usou espada para matar gamer Sol é condenado a 14 anos de prisão

Gamer Ingrid Bueno, a Sol, tinha 19 anos — Foto: Reprodução/TV Globo
Gamer Ingrid Bueno, a Sol, tinha 19 anos — Foto: Reprodução/TV Globo

Assassino confesso, o estudante Guilherme Alves Costa, de 18 anos, que usou uma faca e uma espada para matar a gamer Ingrid Oliveira Bueno da Silva, de 19 anos, conhecida como Sol, foi condenado a 14 anos de prisão.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), confirmou a informação na noite desta segunda-feira (8).

O julgamento aconteceu nesta segunda-feira, um pouco mais de 1 ano, depois do assassinato da vítima ocorrido em fevereiro de 2021. Sol foi morta na casa de Guilherme, em Pirituba, na Zona Norte da capital paulista.

A maioria dos jurados presentes no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste, votou pela condenação do acusado, e a sentença foi dada pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro.

Ele foi condenado pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil e meio cruel. Segundo a acusação, o assassino tentou "degolar a vítima", que tinha conhecido pela internet havia um mês. O estudante que já estava detido, continuará preso.

"Deixo de conceder a ele o direito de recorrer em liberdade. As razões que levaram à decretação de sua custódia cautelar persistem, ora reforçadas pela condenação", escreveu a juíza na decisão.

Além da decisão, a juíza recomendou que Guilherme tenha consultas psiquiátricas durante o período em que estiver preso.

"Oficie-se à prisão onde está custodiado, com a recomendação de que o condenado seja submetido a acompanhamento médico psiquiátrico no curso do cumprimento da pena."

O crime

Em fevereiro de 2021, o Ministério Público de São Paulo denunciou Guilherme pela morte da gamer Ingrid Bueno. De acordo com a denúncia, o jovem teria usado uma faca e uma espada para assassinar a vítima.

Segundo o Boletim de Ocorrência do caso, Ingrid foi encontrada desmaiada pelo irmão de Guilherme, que não a conhecia. Em seguida, policiais militares foram até a casa do suspeito e constataram que a jovem estava morta. Segundo o registro, ela apresentava diversas facadas espalhadas pelo corpo.

Os policiais querem saber se os dois tinham algum relacionamento e se o assassinato foi planejado.

Guilherme chegou a fugir após matar Ingrid. Depois falou que iria se suicidar, mas foi convencido pelo irmão a se entregar. Segundo o relato do irmão, o estudante havia lhe dito que a garota “teria atravessado seu caminho” e por isso a matou.

Na época do assassinato o adolescente afirmou aos policiais que escreveu um livro de 52 páginas, intitulado "Meu Dicionário", para explicar os objetivos do crime. A polícia conseguiu uma cópia dele, que foi anexada ao inquérito.

No ‘dicionário’ o assassino afirmou, de acordo com a Justiça, que "planejava um ataque contra o cristianismo e que seria um soldado de um exército, tendo ainda asseverado que a vítima teria atrapalhado seu caminho, o que, em tese, acena para a possibilidade de envolver um plano para atingir outras pessoas".

Após matar a gamer, Guilherme gravou um vídeo e compartilhou a imagem nas redes sociais admitindo o assassinato.

Apesar de ter gravado um vídeo no qual confessa o crime, Guilherme, que é conhecido como Flash Asmodeus no meio dos games, nunca explicou por que assassinou Ingrid. Ela jogava profissionalmente como gamer. Os dois se conheceram durante partidas online do Call of Duty: Mobile, um jogo de tiro para celulares.