Estudantes se engajam na luta contra a pobreza menstrual

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RIO —Inaugurada este ano na Barra, a Escola SAP oferece aos alunos do 9º ano a disciplina SAP Social, para trabalhar o empreendedorismo social e debater sobre a desigualdade. Para tanto, fechou uma parceria com o Instituto Phi, ONG que promove doações e faz assessoria de filantropia. Estimulados a pensar sobre os problemas sociais e a encontrar soluções para eles, os alunos chegaram ao tema que queriam trabalhar: a pobreza menstrual, que faz com que uma em cada quatro meninas no país deixe de ir à escola quando está menstruada, por falta de absorventes e estrutura sanitária.

A turma de 24 alunos desenvolve desde então o projeto Deixando Fluir, que em novembro vai entregar absorventes de pano para 23 jovens beneficiadas pela Associação Semente da Vida, ONG da Cidade de Deus, e outras 22 meninas.

— Fiquei orgulhoso quando vi que eles tiveram um olhar para esse tema que não era muito discutido, e muito antes dessa comoção geral que surgiu a partir do veto do presidente Jair Bolsonaro (ao projeto de lei que previa a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e mulheres em situação de rua). Isso mostra que eles estão criando uma visão de mundo — diz o professor João Victor Ferreira.

A turma pesquisou o tema e os produtos disponíveis no mercado, conversou com uma ginecologista e chegou ao público-alvo, meninas de sua idade. Cada contemplada receberá cinco absorventes reutilizáveis, no valor de R$ 85. Eles estão sendo produzidos pelo Instituto ITI, de Itabira, Minas Gerais.

Beatriz Cohen Guedes, de 14 anos, uma das envolvidas no projeto, explica que os participantes se dividiram em grupos como financeiro, evento, pesquisa e mídia. A turma, que aceita contribuições pelo PIX 07499961/0007-27, já arrecadou R$ 2 mil por meio de doações e com a venda de pulseiras e ecobags que desenvolveu.

—Pesquisamos qual seria o melhor absorvente para doar e chegamos à conclusão de que seria o de pano, também por questões ambientais e ginecológicas. Estamos muito felizes. De alguma maneira vamos impactar a vida de meninas que antes deixavam de ir à escola e até de sair de casa por não terem absorventes — afirma.

Escola apoia iniciativa de aluna

Giulia Tafuri, de 17 anos, do colégio CEL, também se sensibilizou com a causa, quando a distribuição de absorventes estava em discussão na Câmara dos Deputados. Começou a arrecadar itens descartáveis para entregar à ONG Absorvendo Amor, que organizará sua distribuição, e buscou ajuda do CEL, que encampou a ideia: a instituição está recebendo doações de absorventes em suas quatro filiais, e a cada unidade recebida, doa outra para a campanha.

— Estou fazendo um trabalho nas redes sociais, em igrejas e no meu prédio, e a escola está me ajudando a divulgar. Vamos continuar a arrecadação até o fim do ano. Qualquer ajuda já faz a diferença, pode mudar a vida de algumas pessoas — diz Giulia.

Coordenadora de projetos do Instituto Phi, Julia Vianna lembra que envolver os jovens no combate à pobreza menstrual tem outro mérito:

— Para além do conhecimento sobre desigualdade social e o potencial transformador da doação, há a conscientização sobre um tema tabu. A falta de produtos de higiene é uma questão de saúde pública e dignidade. Se você não educa para o tema, a menstruação continua sendo um tabu.

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