Estudo aponta que comerciantes e pedreiros são profissionais que mais morrem de Covid-19 em São Paulo

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Estudo mostrou profissões que mais sofrem com a pandemia em São Paulo (Mario Tama/Getty Images)
Estudo mostrou profissões que mais sofrem com a pandemia em São Paulo (Mario Tama/Getty Images)
  • Estudo mostrou que pedreiros e comerciantes foram quem mais morreram de Covid-19 em São Paulo

  • Instituto Pólis destacou a necessidade de repensar os serviços considerados essenciais

  • Números também escancaram o impacto da Covid-19 em classes sociais mais baixas

Um estudo divulgado pelo Instituto Pólis na última terça-feira (1º) mostrou que comerciantes e trabalhadores da construção civil são os profissionais que mais morrem de Covid-19 na cidade de São Paulo.

Segundo os pesquisadores, o número mostra a necessidade de repensar quais são os serviços essenciais para a vida e o funcionamento da cidade. Até porque nenhuma das duas categorias está entre os grupos prioritários da vacinação contra o coronavírus.

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“O perfil dessas ocupações que permaneceram em atividade, mas que poderiam ter sido poupadas, é marcado pela predominância de pessoas com baixa escolaridade e pela proporção de trabalhadoras e trabalhadores negros acima da média municipal”, explica o estudo.

Os pesquisadores utilizaram dados da Secretaria Municipal de Saúde, coletados entre março de 2020 e março desse ano. Durante este período, foram registradas 30.796 mortes por Covid-19 na capital paulista.

Trabalhadores empregados representam 37,8% destas mortes, seguidos pelos aposentados (32,2%), donas de casa (15,7%), desempregados (1,3%) e estudantes (0,2%).

Desiguldade social é refletida na letalidade da Covid-19 (Alexandre Schneider/Getty Images)
Desiguldade social é refletida na letalidade da Covid-19 (Alexandre Schneider/Getty Images)

Ao fazer uma análise específica da função de cada um, o estudo descobriu que 5% das pessoas que morreram eram comerciantes, enquanto 4,1% trabalhava construção civil.

“São pessoas que dificilmente possuem relações trabalhistas que as possibilitem ficar em casa com a renda garantida, tornando a proteção contra o vírus quase impossível”, considera o instituto.

A pesquisa aponta que trabalhadores da produção fabril (4%), de serviços administrativos/informacionais (4%) e de transporte e tráfego (3,2%) também são algumas das maiores vítimas fatais da Covid-19.

Números refletem desigualdade social como fator

Os dados do Instituto Pólis deflagram que a desigualdade social é fator primordial na letalidade da Covid-19. De acordo com a pesquisa, 76,7% dos óbitos foram de pessoas que não completaram o ciclo de educação básica, ou seja, tinham 11 anos ou menos de estudo.

“Considerando a escolaridade das vítimas como um indicador indireto sobre seu padrão de renda, os dados demonstram que a mortalidade de Covid-19 é maior entre trabalhadores e trabalhadoras mais pobres, que, em muitos casos, são caracterizados pela informalidade e pela impossibilidade do trabalho remoto”, explica.

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