Estudo associa uso do celular durante a gravidez à hiperatividade em crianças

Barcelona (Espanha), 20 abr (EFE).- O uso do telefone celular durante a gravidez é associado ao risco de hiperatividade e falta de atenção em crianças, segundo um estudo do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) feito com 83.884 mães e filhos de Espanha, Dinamarca, Coreia do Sul, Holanda e Noruega.

O estudo, o maior feito até agora sobre condutas de mães e filhos, constatou que as mulheres grávidas que utilizam telefones celulares com uma frequência de média a alta têm mais possibilidades de ter um filho com problemas de conduta, especialmente com hiperatividade e falta de atenção.

O estudo, que faz parte do projeto europeu Gerónimo realizou a partir da análise do comportamento de mães grávidas e de seus filhos em idades compreendidas entre 5 e 7 anos.

Entre as principais conclusões, o estudo destaca que as mães que não usaram o telefone celular durante a gravidez tiveram filhos com menos problemas gerais de conduta, como hiperatividade, falta de atenção e dificuldades emocionais.

No total, 39% das mães que não usaram o celular durante a gravidez - a maioria do grupo dinamarquesas - foram recrutadas antes para o estudo - entre 1996 e 2002 -, um tempo no qual o celular era utilizado muito menos do que agora.

Por outro lado, 29% das mães usaram pouco o celular, 27% tiveram um uso médio, e 5,7% foram classificadas como usuárias com uma frequência alta.

Laura Birks, pesquisadora de ISGlobal e primeira autora do estudo, destacou que os resultados mostram "uma evidência consistente do risco de problemas de hiperatividade e falta de atenção pelo uso médio e alto do celular por parte das mulheres durante a gravidez".

De todos os meninos analisados, 6,6% tiveram dificuldades gerais de conduta, 8,3% mostraram hiperatividade e falta de atenção, e 12% apresentaram problemas emocionais.

Em futuras pesquisas será necessário estudar também "de que maneira a exposição às radiofrequências dos celulares afeta o feto", disse Martine Vrijheid, pesquisadora de ISGlobal e coordenadora do estudo.

Além disso, é possível que as mães com problemas de hiperatividade foram mais propensas a fazer mais ligações telefônicas ou que a hiperatividade fosse herdada por genética. EFE