Estudo brasileiro revela ‘ponto fraco’ na reprodução do coronavírus

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Corona virus
Imagem ilustrativa do coronavírus. Foto: Getty Images
  • Pesquisa foi realizada no acelerador de partículas Sirius, em Campinas

  • Cientistas integram o Instituto de Física da USP São Carlos

  • Foi descoberto uma enzima frágil, que é essencial para a reprodução do vírus

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) campus São Carlos está buscando responder algumas das maiores dúvidas em relação ao comportamento do coronavírus no corpo humano.

Usando o Sirius, um dos aceleradores de partículas mais potentes do mundo, que fica em Campinas (SP), eles buscaram entender como o vírus se reproduz dentro do organismo e como impedir que ele faça cópias de si mesmo e se espalhe. Os primeiros resultados do estudo foram publicados na revista científica Journal of Molecular Biology.

Com os resultados, os cientistas esperam contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para impedir a reprodução do coronavírus no corpo e, assim, impedir o desenvolvimento da Covid-19.

O estudo começou em setembro de 2020. Com o Sirius, os pesquisadores puderam disparar um feixe de luz contra cristais de proteínas do Sars-CoV-2, o que revelou seus pontos fracos. Entre eles, foi descoberta a protease, uma enzima que o vírus utiliza nos primeiros estágios do processo de reprodução dentro do corpo humano.

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Esta é a primeira vez que dados produzidos pelo Sirius são divulgados em um artigo escrito por pesquisadores de fora do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), órgão federal que administra o superlaboratório.

Segundo um dos integrantes do estudo, Andre Godoy, já se estuda o desenvolvimento de uma molécula com a capacidade de impedir que a protease possa fazer seu trabalho.

Como atua o coronavírus no corpo humano?

Ao entrar no corpo humano, o coronavírus sequestra células para tentar criar cópias de si mesmo para conseguir se espalhar pelo organismo. No entanto, as primeiras cópias não saem prontas. Na verdade, elas surgem como um bloco de proteínas chamado de poliproteina.

Neste bloco é que estão as proteases, enzimas que atuam como coordenadores da poliproteina para criar cópias do genoma do Sars-CoV-2 com o objetivo de se espalhar pelo corpo.

No Manacá, estação de pesquisa do Sirius, foi emitida uma luz síncrotron contra cristais de proteína do Sars-CoV-2, que é um tipo de radição eletromagnética capaz de revelar microestruturas na formação do vírus, como se fosse um raio-x super potente.

Protease MPro. Foto: Divulgação/CNPEM
Protease MPro. Foto: Divulgação/CNPEM

"Moléculas complexas [como as proteínas do coronavírus] precisam de feixes intensos e que possam ser focalizamos em dimensões pequenas, da ordem de milionésimos de metro, ou micrômetros, como é o caso da linha Manacá no Sirius", explica Ana Zeri, responsável pela estação de pesquisa Manacá do acelerador ao portal Tilt UOL.

Com o estudo, os cientistas puderam compreender como se dá o metabolismo de uma protease. A pesquisa descobriu também duas enzimas, que os pesquisadores chamaram de PLpro e Mpro, que precisam do auxílio de cópias mais maduras para conseguir crescer.

"Hoje muitos grupos de pesquisa e farmacêuticas buscam por moléculas que possam impedir as proteases de realizar suas funções, o que em teoria iria bloquear que o vírus complete seu ciclo", afirmou o pesquisador Andre Godoy.

"Nós do Instituto de Física de São Carlos estamos também nessa busca, e até o momento já testamos cerca de 10 mil compostos contra essas duas proteínas, onde encontramos cerca de 20 moléculas com potencial de inibir a PLpro ou a Mpro do vírus", completou Godoy.

O pesquisador ainda afirma que os testes com animais podem começar ainda em 2021 para avaliar a eficácia dessas 20 moléculas no combate ao vírus. Além disso, outros dados coletados pelo Sirius estão em análise e devem contribuir ainda mais para a compreensão do coronavírus.

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