Estudo da USP recomenda 3ª dose para idosos com mais de 80 anos vacinados com CoronaVac

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A health worker prepares a CoronaVac vaccine against COVID-19 during an immunization campaign for people on the streets in Sao Paulo, Brazil, on March 30, 2021. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP) (Photo by MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
Prioridade para tomar a terceira dose deve ser para pessoas com mais de 80 anos que tomaram a CoronaVac e, depois, para pessoas com mais de 60 anos imunizados com a mesma vacina (Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
  • Estudo coordenado pela USP mostra que idosos com mais de 80 anos devem receber terceira dose da vacina contra covid-19

  • Em homens com mais de 55 anos, foi apontado que apenas um terço tem forte resposta imune após aplicação das duas doses da CoronaVac

  • Quando possível, todos com mais de 60 anos que receberam a CoronaVac devem ser vacinados com a terceira dose de vacina heteróloga, ou seja, de outro fabricante

Um estudo, coordenado pela Faculdade de Medicina da USP, recomenda que pessoas com mais de 80 anos, vacinadas com a CoronaVac, devem tomar uma terceira dose do imunizante contra a covid-19. As informações foram relevadas pelo Jornal da USP, após o trabalho ser publicado em pre-print no site MedRXiv.

A pesquisa analisou amostras de sangue e aponta que a reposta imune provocada pela CoronaVac é menos intensa em homens a partir dos 55 anos. Segundo o levantamento, apenas um terço dos homens nessa faixa etária tem uma forte resposta de anticorpo, que combatem o coronavírus. A resposta diminui ainda mais quando se trata de homens a partir de 80 anos.

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No artigo, os pesquisadores recomendam que os primeiros a receberem uma terceira dose sejam os maiores de 80 anos. Em seguida, quando for possível, pessoas acima de 60 anos também devem receber uma dose a mais do imunizante contra a covid-19 para reforçar a proteção.

A pesquisa foi coordenada pela FMUSP e parte das análises aconteceram no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP. Os estudos também tiveram a colaboração do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Como foi feito o estudo

Jorge Kalil, da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores do estudo, explica que os pesquisadores coletaram sangue de 70 pessoas que tinham covid-19 e outras 100 que receberam as duas doses da CoronaVac há mais de quatro semanas.

Com as amostras, os pesquisadores verificaram três parâmetros: “A resposta de anticorpos contra o sars-cov-2, mais especificamente a três tipos de proteínas do coronavírus, responsáveis por sua estrutura e adesão às células; os anticorpos neutralizantes, ou seja, aqueles que de fato inativam o vírus; e a resposta celular, que acontece através de uma proliferação de células de defesa, os linfócitos, numa cultura de células do sangue, depois de estímulo com fragmentos do vírus, os chamados peptídeos das proteínas virais”.

Conclusões do estudo

Os participantes do estudo foram divididos por sexo e faixa etária. Edécio Cunha Neto, também da FMUSP e autor do estudo, relator que, assim, foi possível perceber que que a resposta ao vírus em homens com mais de 55 anos era “muito mais fraca em relação aos outros grupos testados”.

“Por exemplo, foi medida a produção de duas proteínas essenciais para o funcionamento das células T, que fazem a defesa do organismo, a interleucina-2 e o interferon-gama. Nos homens com mais de 55 anos, não houve diferença no interferon-gama, mas sim na interleucina-2, o que aponta para uma possível dificuldade na produção de células T de memória, que garantem a resposta imune contra o vírus muito tempo após a vacinação.”

Dessa forma, segundo Jorge Kalil o estudo “demonstra bem que o regime vacinal que foi utilizado não é suficiente para dar uma razoável cobertura contra doença grave e contra morte”.

O que deve ser feito

Para Kalil, o estudo reforça as recomendações feitas pela Comissão Técnica de Assessoramento a Imunizações (Cetai), que assessora o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. “A Comissão aconselhou ao Ministério que aplique a terceira dose de vacinas para quem tomou duas doses de Coronavac e tem mais de 80 anos, e vacinar as pessoas com mais de 60 anos com a terceira dose quando possível”, disse o pesquisador.

O ideal é que a vacinação seja feita de forma heteróloga, ou seja, a terceira dose aplicada neste pública deveria ser de outra marca, “preferencialmente AstraZeneca ou Pfizer”.

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