Estudo diz que o maior esquema de corrupção do Brasil é a sonegação de imposto

Um papo muito comum de se ouvir aqui no Brasil é em relação à alta carga tributária do país. As reclamações são sempre as mesmas, seguidas de uma justificativa que parece individual – mas que não passa da obrigação de qualquer cidadão. Não raro as queixas são seguidas do brado: “Eu pago os meus impostos!”. Mas, afinal, será que o brasileiro paga mesmo?

(Reprodução/YouTube)
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De acordo com levantamento do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), o Brasil soma mais de R$ 1,162 trilhão em débitos tributários na Divida Ativa da União, isto é, esse valor é o que o país ainda tem a receber de cidadãos e empresas que não pagam os seus impostos.

“Quem sonega imposto no Brasil não são pobres, trabalhadores e classe média. Esses pagam na fonte, pois o salário já vem descontado, ou então pagam imposto indireto quando adquirem um bem ou quando pagam um serviço. A sonegação é praticada basicamente por grandes empresas, que têm verdadeiros exércitos de advogados pra driblar a legislação e deixar de recolher tributos devidos”, explica João Sicsú, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em declaração reproduzida pelo Brasil de Fato.

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Os valores dos débitos acumulados representam mais de 580 vezes os desvios do esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. Em comparação com o Mensalão, o montante é 8.000 vezes maior.

Dos R$ 1,162 trilhão, somente 1% retorna à União. “É muito pouco. Recuperamos por ano cerca de R$ 13 bilhões. Um investimento maior de cobrança dessa dívida poderia fazer o orçamento da União crescer muito”, defende Sicsú.

Na contramão do famoso “Impostômetro” localizado no centro da cidade de São Paulo, a Sinprofaz mantém no portal Quanto Custa o Brasil pra Você? o “Sonegômetro”, onde é possível ver o quanto deixa de ser pago no país. Até o fim deste ano, o total poderá chegar a R$ 500 bilhões, equivalente a 10% da economia nacional. Destes, 80% foram sonegados com “mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro”, de acordo com o sindicato.

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“Se analisarmos os números trazidos pelo painel da sonegação, verificamos como é injusta e desnecessária toda essa recessão imposta à população”, avaliou o presidente do Sinprofaz recentemente, traçando um paralelo entre os atuais R$ 426 bilhões a serem pagos e a meta do ajuste fiscal do Governo Federal (R$ 60 bilhões).

“O que gasta com saúde, educação, habitação, Bolsa Família e seguro-desemprego não chega a R$ 300 bilhões por ano. E o Brasil, só esse ano, além de pagar R$ 500 bilhões em juros da dívida pública para banqueiros e empresários, ainda vai deixar de cobrar outras centenas de bilhões em impostos sonegados. Nós precisamos repensar os gastos do governo, de arrecadação, mas também de cobrança”, completa o professor Sicsú.

Nos dias 22 e 23 de outubro, o “Sonegômetro” foi instalado no vão do MASP, em São Paulo, juntamente com uma máquina de lavar gigante, símbolo do artifício mais usado pelos sonegadores mais poderosos do país: a lavagem de dinheiro.

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