Estudo mostra que 66,9% dos diagnósticos da Covid-19 foram de laboratórios privados

BRASÍLIA- Um estudo feito por pesquisadores brasileiros, incluindo integrantes do Ministério da Saúde, mostrou que até 25 de março, um mês após o registro do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, 66,9% dos diagnósticos foram confirmados em laboratórios privados cujo custo do exame varia de R$ 300 a R$ 690. Apenas 33,1% dos casos confirmados notificados foram diagnosticados em laboratórios de saúde pública.

Segundo o estudo, a disparidade socioeconômica possivelemente determina o acesso aos testes de Covid-19 no Brasil, ou seja, pessoas com renda mais alta têm maior acesso ao diagnóstico, o que pode influenciar na subnotificação de casos.

No primeiro mês da epidemia, 67.344 casos suspeitos foram notificados em 172 cidades nas cinco regiões do Brasil. Entre esses, 2.433 casos foram confirmados no país, dos quais apenas 1468 possuíam informações detalhadas. De acordo com a pesquisa, entre os casos diagnosticados, 35% vieram de fora do Brasil. O estudo é assinado por 26 pesquisadores incluindo o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira e o ex-diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da pasta, Júlio Croda.

"Juntamente com mudanças nas diretrizes de vigilância, o viés socioeconômico nos testes sugere que o número de contagens confirmadas de casos pode subestimar substancialmente o número real de casos no população", afirma o estudo.

Além disso, a pesquisa cita que outras possíveis causas para subnotificação como proporção significativa de pessoas assintomáticas; casos de pessoas com sintomas leves que não procuram os sistemas de saúde; e, por fim, a capacidade limitada de testagem no serviço público "devido a atrasos na importação de reagentes e kits usados em testes moleculares". O relatório é taxativo ao falar sobre o acesso aos testes no país:

"A combinação do acesso universal ao diagnóstico e o sucesso das intervenções ditará o destino do COVID-19 no Brasil."