Estudo mostra que 84% das classes D e E utilizam o celular para realizar trabalho remoto

Letycia Cardoso
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Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

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Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

A 3ª edição do painel Tic covid-19, divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Nic.BR), revelou a disparidade existente entre as classes sociais na hora de realizar o teletrabalho: enquanto o computador foi o dispositivo usado com maior frequência pelas classes AB (77%) para o trabalho remoto; nas classes DE, foi o telefone celular (84%).

A pesquisadora do Nic.BR, Luciana Portilho, explica que o uso de computadores por classes menos favorecidas é baixo e, com a necessidade de trabalhar de casa por conta da pandemia, não tiveram tempo, nem suporte para se adaptarem.

— Das classes AB, 68% usavam computador de mesa e 76% tinham notebook em 2019. Das classes DE, apenas 6% possuíam notebook. E isso se refletiu no trabalho remoto agora. O que a gente entende é que as outras classes já tinham um aparato em casa e essas, como não tinham, tiveram que se adaptar de algum jeito — analisa.

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Luciana afirma que, em sua maioria, esses trabalhadores que passaram a usar o celular para o ofício atuam com vendas, administração ou atendimento ao público.

A pesquisadora ainda observa que muitas empresas não ofereceram suporte algum para o trabalho remoto: móveis e cadeiras foram disponibilizados por apenas 13% dos empregadores; o apoio financeiro para pagar a internet correspondeu somente a 16%; e o empréstimo ou doação de notebooks, a 35%. Acesso remoto a pastas e arquivos da empresa (47%) e software (37%) foram os itens de apoio mais fornecidos por parte das organizações.

— Nos dados de quem realizou trabalho remoto na pandemia, temos 59% das classes AB e 28% das CDE. Isso é porque as pessoas mais pobres atuam em serviços essenciais, nos quais precisam lidar com o público — compra a pesnquisadora: — Enquanto os setores que mais passaram a adotar o teletrabalho foram de educação e científicos e técnicos (como advogados e jornalistas), que exigem nível superior e já tinham trabalho diário usando computador.