Estudo mostra que ofensas equivalem a tapas no rosto

Um recente estudo de cientistas holandeses contrapõe a ideia de que meras ofensas não machucam terceiros, de forma que até mesmo equivalem a "tapas verbais no rosto", conforme rege a interpretação cerebral. Publicada no periódico Frontiers in Communication nesta segunda-feira, a pesquisa "Do People Get Used to Insulting Language?" (As pessoas se acostumam à linguagem ofensiva?) mostra que "insultos verbais genuínos violam o imperativo moral universal de não prejudicar outras pessoas".

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Para os autores, das universidades de Utrecht e de Leiden, ambas na Holanda, avaliar a forma como as ofensas causam impacto é uma "oportunidade única de explorar a interface entre linguagem e moção".

"Nosso principal objetivo foi procurar sinais de adaptação diferencial a insultos repetidos e elogios repetidos, e explorar quais estágios do processamento induzido pela linguagem estão implicados em qualquer adaptação diferencial e quais não estão", afirma a pesquisa.

Os resultados foram obtidos mediante registros de eletroencefalografia (EEG) e condutância da pele visando a comparar o impacto de curto prazo entre insultos verbais, como “Linda é uma idiota” ou “Paula é horrível”, e declarações positivas, como “Linda é um anjo”, “Paula é impressionante”, e ainda com descrições neutras, como “Linda é uma estudante". O estudo foi realizado com 79 estudantes da Universidade de Utrecht que se identificam como mulheres.

"Ao todo, nossas descobertas sugerem que em um experimento padrão de compreensão psicolinguística sem interação real entre os falantes, os insultos fornecem 'mini-tapas no rosto' lexicais, de modo que as palavras avaliativas fortemente negativas envolvidas (por exemplo, 'idiota') automaticamente chamam a atenção durante recuperação lexical, independentemente da frequência com que essa recuperação ocorre", afirmam os autores.

Os pesquisadores disseram que pediram o consentimento dos participantes e deixaram claro que eles poderiam desistir do estudo a qualquer momento caso se sentissem desconfortáveis. Apesar disso, não houve desistências. Os voluntários foram apresentados a alguns personagens fictícios que lhes ofenderiam. Eles foram nomeados como Bram (para as declarações neutras), Daan (insultos) e Paul (elogios). Para evitar interferências, não foi permitida a participação de quem tivesse relacionamento amoroso com homens que têm esses mesmos nomes. Todo o experimento durou cerca de duas horas.

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