Estudo propõe reorganização radical de árvore genealógica dos dinossauros

Um estudo revolucionário publicado nesta quarta-feira ameaça derrubar a teoria predominante há 130 anos sobre a história evolutiva dos dinossauros, propondo uma reorganização radical de sua árvore genealógica

Um estudo revolucionário publicado nesta quarta-feira ameaça derrubar a teoria predominante há 130 anos sobre a história evolutiva dos dinossauros, propondo uma reorganização radical de sua árvore genealógica.

Segundo a primeira e mais importante divisão feita no tronco de uma intrincada árvore genealógica, os dinossauros são classificados em dois grupos - os com quadril de lagarto e os com quadril de pássaro.

"Nosso estudo anula 130 anos de dogma", disse o coautor da pesquisa, Paul Barrett, do Museu de História Natural.

Uma nova árvore evolutiva dos dinossauros, publicada na revista Nature, propõe dois novos grupos de base, nos quais os lagartos e pássaros estão misturados.

Ela também sugere que os dinossauros surgiram cerca de 247 milhões de anos atrás - 10 milhões de anos antes do que se pensava - e no hemisfério norte, em vez do sul.

Barrett e sua equipe examinaram uma grande amostra de características de fósseis de dinossauros primitivos para aprender mais sobre o antepassado original e comum e seus primeiros ramos.

O primeiro dinossauro, concluíram, foi provavelmente um onívoro pequeno que andava sobre as patas traseiras e tinha mãos agarradas. Esses aspectos têm sido objeto de muito debate científico.

Mas a descoberta mais controversa diz respeito ao que aconteceu em seguida.

Os dinossauros se dividiram em dois grupos principais, mas muito diferentes dos conhecidos até agora, disse a equipe.

Conclusões "revolucionárias"

Desde a era vitoriana, os dinossauros foram divididos em duas categorias: os com quadril de pássaro (Ornitísquios) e os com quadril de réptil (Saurísquios).

Os Sauríquios foram subdivididos em dois grupos: os carnívoros bípedes chamados de terópodes, que incluíam o Tiranossauro Rex e o Velociraptor; e os grandes saurópodes de pescoço longo, como o Brontossauro.

"Nossa análise sugere que animais como o T. rex eram na verdade mais estreitamente relacionados com os Estegossauros" - dinossauros considerados descendentes dos Ornitísquios.

Sob a nova classificação, os dinossauros com quadril de ave como o Tricerátopo, de três chifres, e o Estegossauros, que tinham "armaduras" ósseas nas costas, não constituem mais uma das duas categorias basais.

Em vez disso, eles foram subdivididos em uma categoria completamente nova, chamada Ornithoscelida, junto com terópodes que foram retirados do grupo dos Saurísquios (os com quadris de réptil).

"Nós retiramos os terópodes, mas o velho Saurísquio continua" como uma das duas categorias fundamentais, disse à AFP o autor principal do estudo, Matthew Baron, da Universidade de Cambridge.

A nova categoria Ornithoscelida, ele propôs, pode ser descrita como "membros de pássaro". Seus integrantes compartilham membros posteriores e características do crânio comuns.

"Propomos que a árvore genealógica dos dinossauros na verdade parece muito diferente da versão que foi aceita pelos cientistas nos últimos 130 anos", disse Baron.

Pela primeira vez, os ancestrais dos pássaros modernos, os terópodes de quadril de réptil, são agrupados com os dinossauros com quadril de pássaro em uma única categoria.

Se as conclusões estiverem corretas, disse o colega de Baron, David Norman, "todos os principais livros que cobrem o tema da evolução dos vertebrados precisarão ser reescritos".

Em um comentário sobre o estudo, também publicado pela Nature, Kevin Padian, da Universidade da Califórnia, descreveu as conclusões como "revolucionárias".

"Será interessante ver como os paleontólogos recebem essa reavaliação original e provocativa das origens e relações dos dinossauros", escreveu.

Baron disse que aguarda ansiosamente o debate.

"Esperamos que as pessoas no nosso campo testem e voltem a testar nossa hipótese e procurem novos espécimes e novos dados que podem provar ou refutar o que estamos propondo", disse Baron por e-mail.

"Esta não é, de modo algum, a última palavra sobre o assunto".

Um vídeo explicando as novas descobertas pode ser visto no link: https://youtu.be/BRlktNwTRjE