Estudo sul-africano aponta que vacinas evitam casos graves de covid pela Ômicron

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A nurse prepares a dose of the coronavirus disease (COVID-19) vaccine as the new Omicron variant spreads, in Dutywa, in the Eastern Cape province, South Africa November 29, 2021. REUTERS/Siphiwe Sibeko
Enfermeira prepara dose de vacina contra covid-19 em Dutywa, na África do Sul. Foto: REUTERS/Siphiwe Sibeko
  • Cientistas ressaltam que ainda é cedo para tirar todas as conclusões

  • Variante é mais transmissível e apresenta maior risco de reinfecção

  • Cepa deve substituir Delta no país

Um estudo sobre a variante Ômicron do coronavírus, elaborado pela Rede de Vigilância do Genoma na África do Sul (NGS-SA, na sigla em inglês), conseguiu chegar a algumas conclusões preliminares sobre a cepa. Apresentado nesta quarta-feira (3) à Comissão de Saúde do Parlamento, o levantamento já considera a presença de uma quarta onda da doença no país, que está sendo combatido principalmente pelo avanço da vacinação.

Segundo Richard Lessels, especialista em doenças transmissíveis, “uma grande parte da população está obtendo a imunidade com as vacinas ou passando pela doença, por isso é complexo dizer qual será a evolução. A genética da Ômicron é completamente diferente da delta ou das variantes anteriores”. Ele acrescentou que os cientistas estão seguros de que “as vacinas são a ferramenta capaz de impedir que a doença seja grave e exija hospitalização”. As informações são do jornal El País.

“Não nos preocupa tanto o número de mutações, e sim onde se concentram, porque muitas estão na proteína da espícula, especificamente em partes cruciais para o acesso a nossas células. Não sabemos se os anticorpos poderão com elas”, pontuou Lessels.

A maioria dos pacientes com a nova variante apresenta apenas sintomas leves, mas, para o especialista, “é muito cedo para dizer quão perigosa é a Ômicron, porque foi detectada muito recentemente”. “Não sabemos se veremos casos mais graves ou não”, concluiu.

De forma resumida, o novo levantamento realizado na África do Sul pode confirmar que a transmissibilidade da Ômicron é maior, mas que pessoas com esquema vacinal completo podem evitar hospitalização em caso de infecção. Ainda assim, destacam que o risco de reinfecção é maior, mas que o efeito da medicação (dexametasona) não se altera, porque esta não trata o vírus, apenas alivia os sintomas.

Sobre a possibilidade da variante ser mais potente, os cientistas observaram que, por hora, foram contaminadas principalmente pessoas entre 20 e 39 anos, que apresentam melhor resposta imunológica, de forma que não é possível concluir sobre o tema no momento.

O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas da África do Sul (NICD, na sigla em inglês) informou que, dos 249 sequenciamentos realizados no mês de novembro, 183 confirmaram ser da Ômicron.

Ainda de acordo com o cientista, a nova cepa deverá substituir a Delta nas províncias da África do Sul. Ele explica que o teste PCR da variante Ômicron apresenta uma particularidade que a torna identificável sem a necessidade de realizar um sequenciamento do genoma.

“Um dos três sinais ou alvos no PCR dá negativo, os outros dois dão positivo, por isso o exame continua dando positivo, mas se observa algo diferente. Não é possível detectar o gene da espícula. E foi isso que ocorreu no laboratório Lancet, em Gauteng. Perceberam que alguns dos casos positivos tinham esta marca: a queda do gene. Algo que não acontece com a delta. Por isso, com o PCR podemos seguir o rastro desta variante em tempo real, não é preciso ter o sequenciamento genético completo, que costuma demorar duas semanas em laboratório”, explicou durante a apresentação do estudo.

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