Estufa das plantas carnívoras do Jardim Botânico é reformada e recebe cem novas espécies

Um dos pontos turísticos que mais capturam a beleza do Rio, o Jardim Botânico, na Zona Sul da cidade, terá a partir de hoje novidades para os seus visitantes. A estufa das plantas carnívoras foi totalmente reformada e recebeu cem novas espécies. Ao lado dela, foi instalado um banco interativo que toca quatro composições do músico polonês Fredéric Chopin.

O solo da estufa foi preparado para 250 mudas de plantas carnívoras trazidas de outros países da América e da Ásia. O público poderá conhecer as nepenthes, que apresentam formato de jarro, assim como as droseras com seus pequenos tentáculos. Também estarão expostas dionaeas, as mais conhecidas por conta das “boquinhas” que devoram. No espaço, haverá ainda utricularias, que apresentam ramos fáceis de serem confundidos com flores; pinguiculas, de folhas gordinhas; e sarracenias, conhecidas como planta-trompete. Elas são consideradas carnívoras por atenderem a três principais requisitos: atraem, capturam e digerem a presa.

— Elas vivem em solo adverso, pobre em nutrientes, e precisaram adquirir habilidades para sobreviver. Queremos que a exposição seja uma porta de entrada para as pessoas conhecerem mais sobre essas espécies — diz Arthur Jobim, de 24 anos, o mais jovem curador de insetívoras, como também são chamadas as carnívoras, do espaço.

Fechada para reforma desde março de 2020, a estufa teve as vidraças restauradas e o gradil de ferro pintado de verde, além de ter ganhado um novo sistema de irrigação. A fonte de água no centro do espaço, importante para a atração de insetos, também voltou a funcionar. O Brasil é o segundo maior país em diversidade de carnívoras, perdendo apenas para a Austrália.

Depois de visitar as carnívoras, o público poderá ouvir um pouco de Chopin diante do cenário verde que inspirava o cantor e compositor Tom Jobim. É um banco musical que vai reproduzir quatro obras do pianista, além de informações sobre o músico, um presente da Embaixada da Polônia pelo bicentenário da Independência do Brasil. Bastará apertar um botão para ouvir as faixas. O sistema é muito comum em áreas públicas ao ar livre na Polônia.

O Jardim Botânico também está focando na preservação de sua memória. Por isso, seu acervo fotográfico passa por um processo de revitalização. Entre as raridades, há imagens da vegetação nativa de Laranjeiras; de pesquisadores na fazenda da antiga Varig, no município de Joia, no Rio Grande do Sul; do Leblon em 1925; e do Horto Florestal em 1942. Com de 15 mil itens, a coleção apresenta diferentes etapas das práticas científicas no campo da botânica no país, além de parte significativa da história da instituição.

A recuperação, que está sendo feita no Galpão de Acervo e Memória do Jardim Botânico, custará R$ 120 mil e será bancada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Outra boa notícia é a reabertura do teatro do parque, que homenageava o Tom Jobim e estava fechado desde 2017. O espaço foi reaberto como um centro de cultura e entretenimento, com pegada na sustentabilidade, voltado para o público infanto-juvenil.

O Jardim Botânico funciona das 8h às 17h, mas neste sábado ficará aberto das 8h às 14h e fecha no domingo. A entrada para visitantes que moram no Rio custa R$ 17, enquanto os brasileiros de fora do estado pagam R$ 27. O ingresso para turistas do Mercosul sai a R$ 50 e para os demais estrangeiros, a R$ 67.

*Estagiária sob a supervisão de Leila Youssef