Estupro em hospital: Castro diz que vai criar protocolos de segurança

O governador Cláudio Castro anunciou a criação de novos procolos de segurança para as unidades de saúde, em visita ao Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, nesta quinta-feira . De acordo com ele, o crime registrado no centro cirúrgico no último domingo deve servir para aprimorar os fluxos e a segurança dos hospitais e evitar que nenhum outro cidadão, na rede pública ou privada, passe novamente por um episódio como esse, referindo-se à prisão em flagrante do médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, pelo estupro de uma paciente.

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Ao lado da delegada titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de São João de Meriti, Bárbara Lomba, que não quis comentar o caso, o governador ressaltou que se trata de um caso isolado, que não faz parte do cotidiano das unidades de saúde. Castro não deu detalhes sobre o protocolo que está sendo estudado pela Secretaria estadual de Saúde, mas enfatizou que é preciso ter muito cuidado para preservar a discrição nas unidades médicas.

— Não vamos encher a sala operatória de câmeras, não é assim que funciona. Mas a secretaria já está estudando a criação de um protocolo e uma forma de melhorar a capacitação dos profissionais — disse o governador, na frente do hospital onde, no domingo, ocorreu a prisão em flagrante de Giovanni Bezerra.

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O governador classificou o crime como uma monstruosidade.

— A gente não pode, de maneira alguma, achar que isso acontece nas unidades de saúde. O que aconteceu aqui é um fato extraordinário que deve servir para combatermos outros casos, tanto de estupro como de violência sexual — disse.

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Thyedimo Silva Sat, diretor administrativo do hospital, contou que a equipe também está recebendo acompanhamento para se recuperar do trauma:

— A gente está há dias sem dormir. Eu nunca tinha visto isso na minha vida. A equipe já está fazendo tratamento psicológico para se recuperar desse trauma — desabafa.

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Desde segunda-feira, o sentimento de indignação predomina entre pacientes do hospital e parentes. Erick Duarte, de 20 anos, estava acompanhando sua esposa, Thaynara Affonso, com 9 meses de gestação, em uma consulta na tarde desta quinta-feira. Ela está fazendo acompanhamento no Hospital da Mulher há 3 meses e já viu Giovanni Bezerra nos corredores da unidade.

— É bizarro pensar aque isso aconteceu aqui, que poderia ser com a minha esposa, sabe? Nós sempre gostamos do atendimento do hospital, mas não temos como saber quem está do nosso lado. Isso assusta muito — disse Erick.

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Erick conta que sua esposa ficou extremamente abalada com o crime. Os dois conversaram e decidiram que ele permanecerá ao lado dela todo o tempo que durar o parto:

— Esse caso mudou minha cabeça. Se me mandarem sair da sala, não vou aceitar. A não ser que tenha alguma complicação. Vou bater o pé e não vou sair.

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* Estagiária sob supervisão de Leila Youssef

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