“Eu avisei que não ia passar boiada”, ironiza delegado que denunciou Salles

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BRASÍLIA – O delegado da Polícia Federal e ex-superintendente do órgão no Amazonas Alexandre Saraiva ironizou no Twitter a demissão do agora ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Em seu perfil, o delegado publicou dois tuítes com referências à queda de Salles. “Eu avisei que não ia passar boiada”, disse uma postagem. Na outra, Saraiva foi ainda mais irônico: “E eu ainda continuo delegado de Polícia Federal”.

O imbróglio entre os dois começou em dezembro de 2020 quando a Polícia Federal fez a maior apreensão de madeira da história do país, durante a Operação Handroanthus. A apreensão aconteceu na divisa do Pará com o Amazonas e foi comandada por Saraiva.

Na época, a PF sustentou a madeira era de origem ilegal. No início deste ano, porém, o então ministro do Meio Ambiente foi à região onde a madeira está apreendida atendendo a pedidos de empresários do setor madeireiro. Lá, Salles criticou a operação e levantou suspeitas sobre a legalidade da apreensão. Em um vídeo, Salles chegou a dizer que a documento de parte da madeira era legal.

Após a intervenção de Salles em favor dos madeireiros, Saraiva enviou uma notícia-crime contra o então ministro acusando-o de advocacia administrativa, integrar organização criminosa e obstruir operações. Um dia depois, porém, Saraiva foi exonerado do cargo.

A pressão sob Salles, porém, aumentou em maio quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Akuanduba, que apura a suspeita de que Salles, o ex-presidente do Ibama Eduardo Bim e outros integrantes do governo teriam tomado medidas administrativas para facilitar o contrabando de madeira ilegal para o exterior. Nos dois casos, Salles nega seu envolvimento e a prática de irregularidades.

Em junho, mais uma derrota para Ricardo Salles: a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, autorizou a abertura de um inquérito contra Salles com base na notícia-crime enviada por Saraiva. Assim, Salles é, até o momento, alvo de dois inquéritos criminais no Supremo.

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