'Eu não fui o primeiro e, infelizmente, não vou ser o último. Chega de racismo', diz produtor cultural preso injustamente, que desfila pela Beija-Flor

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RIO — A Beija-Flor encerrou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial levando uma mensagem ativista antirracista para a Marquês de Sapucaí. Com o enredo "Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor", a escola de Nilópolis deu espaço para jovens negros que sofreram com a violência do estado. Um deles foi Gustavo Nobre, produtor cultural que foi preso injustamente em 2020 acusado de roubo, sentença que foi definida depois de um reconhecimento fotográfico na delegacia.

— Estou muito feliz de ter minha liberdade de volta, liberdade essa que nunca deveria ter sido tirada. Eu não fui o primeiro injustiçado e não vou ser o último, infelizmente. Mas a gente tem que combater porque ninguém merece passar o que eu passei. Nenhuma mãe merece passar o que a minha passou — disse o rapaz, de 30 anos.

Para Gustavo, "hoje é um dia especial, dia de levar a história, a cultura e a bandeira do nosso povo negro com o Beija-Flor no maior espetáculo da Terra".

— Esse enredo é um grito de basta, é um clamor por respeito. Além disso, são várias escolas levantando a pauta antirracista. Então será mesmo que eu fui um caso isolado? Será que é só o Gustavo, o Yago, o Justino? Não. Todo mundo está percebendo. Estamos dando visibilidade ao problema, graças a Deus. Chega de racismo — concluiu Gustavo.

Gustavo foi convidado ao desfile da Beija-Flor pela organização Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, chamada pela escola devido ao seu trabalho antirracista na Baixada Fluminense. Os membros da ONG entraram na Avenida com uma faixa que dizia "Enquanto houver racismo, não haverá democracia".

Coordenadora da organização, Gisele Florentino diz que a parceria com a Beija-Flor resultou de um desejo da escola de transmitir a perspectiva negra de temas políticos efervescentes.

— Sou moradora da Baixada, a Beija-Flor é minha escola de coração. Assistir à Beija-Flor voltando a debates raciais tão comprometidos com o enfrentamento do racismo é muito importante, entendendo que, neste momento de levante antirracista em todo o mundo a gente vem debatendo racismo estrutural e principalmente letalidade policial — diz.

Tem lugar para todos: Em terra de reis e rainhas de bateria, não há espaço para disputas e rivalidades

No desfile, os ativistas abriram caminho para uma ala chamada "A contagem não para", que chama a atenção para o número de pessoas negras mortas pelo Estado.

— A Beija-Flor comprou esse debate. Abraçou o movimento "Vidas negras importam" e principalmente aceitou questionar: como podemos reduzir a violência policial no Rio de Janeiro? — acrescenta Gisele.

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