'Eu sei que errei', diz detenta trans em carta oficial divulgada por advogada

Na tarde desta segunda-feira, dia 9, a advogada Bruna Paz Castro utilizou o Instagram para compartilhar uma carta escrita por Suzi de Oliveira. A detenta foi entrevistada pelo médico Dráuzio Varella, em matéria sobre presas trans em penitenciárias masculinas. A reportagem foi exibida no Fantástico e, no último dia 3, terça-feira, internautas se mobilizaram para enviar cartas de apoio a detenta. No entanto, o processo criminal com a história da detenta se tornou público nos últimos dias e o motivo da detenção gerou reação dos internautas.

Suzi foi condenada por estuprar e matar uma criança de 9 anos. Atualmente, a detenta cumpre pena na Penitenciária I José Parada Neto, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O crime ocorreu na zona leste de São Paulo, em 2010, quando Suzi ainda utilizava seu nome masculino.

Na carta divulgada pela advogada, a detenta conta que errou, mas nunca tentou parecer inocente. 'Eu sei que errei e muito, em nenhum momento tentei passar como inocente. Desde aquele dia me arrependi verdadeiramente e hoje estou aqui pagando por tudo o que cometi', escreveu.

A detenta finalizou pedindo perdão a sociedade. 'Antes não tive essa oportunidade que agora estou tendo. Apenas quero pedir perdão pelo meu erro no passado', finalizou Suzi.

Na legenda da publicação no Instagram, a advogada ressalta que a carta foi a pedido da própria Suzi, escrita a próprio punho, e que não compete o julgamento, uma vez que a detenta já recebeu a condenação e está cumprindo a pena.

Dráuzio Varella rebate polêmica sobre entrevista

"Há trinta anos, cuido da saúde de criminosos condenados. Por razões éticas, não busco saber o que de errado fizeram. Sigo essa atitude para cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico. E para não cair na tentação de traí-lo, atendendo apenas aqueles que cometeram crimes leves. No quadro do fantástico, segui os mesmos princípios. Sou médico, não juiz", disse o médico.

O pronunciamento de Drauzio aconteceu depois que o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) divulgou documentos judiciais que apontam que Susy foi presa condenada pelo homicídio de uma criança de 9 anos. 

Nota oficial do 'Fantástico'

A nota lida no Fantástico no último domingo, dia 8, o Fantástico afirma que 'os crimes das entrevistadas não foram divulgados porque este não era o objetivo'. O programa também declarou apoio ao comunicado divulgado por Drauzio.