'Eu tomaria qualquer vacina', diz Crivella, em sabatina, antes de receber apoio de Bolsonaro

Bernardo Mello
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RIO — Em sabatina nesta quinta-feira na rádio Tupi, o prefeito do Rio e candidato à reeleição, Marcelo Crivella (Republicanos), afirmou que tomaria "qualquer vacina" contra a Covid-19 ao ser questionado sobre a Coronavac, projeto desenvolvido pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Crivella, que espera receber nesta quinta uma declaração formal de apoio do presidente Jair Bolsonaro, voltou a defender que a vacinação contra o coronavírus não seja obrigatória.

A posição passou a ser adotada por Crivella depois que Bolsonaro rechaçou publicamente a obrigatoriedade da vacinação, após um embate com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu desafeto político. Antes, Crivella chegou a se manifestar de forma favorável à obrigatoriedade da vacinação e também admitiu a possibilidade de uma consulta à população. Embora nenhuma vacina tenha o registro para aplicação até o momento, Bolsonaro já declarou também que não comprará a Coronavac, mesmo que seja autorizada pela Anvisa, por não acreditar que "transmita segurança suficiente".

— Acho que eu... Olha, eu tomaria qualquer vacina. Eu acho que é muito importante, quer dizer, quem quiser tomar vacina... — respondeu Crivella, que foi interrompido na sequência porque o tempo para a resposta havia se esgotado. O prefeito não voltou a retomar o assunto na sabatina.

Antes, no início da resposta, Crivella disse que "honra muito" o provável apoio de Bolsonaro, e afirmou que o presidente "chamou para tomar um café com ele amanhã (sexta)". Segundo Crivella, a ideia é gravar um vídeo ao lado de Bolsonaro nesta sexta, para que comece a ser veiculado no horário eleitoral já no fim de semana. Bolsonaro já declarou apoio explícito a quatro candidatos a prefeituras de capitais mas não mencionou Crivella até agora, embora tenha autorizado o uso de sua imagem nas propagandas eleitorais do prefeito. Crivella também frisou, na sabatina, que não é favorável à obrigatoriedade da vacina.

— Sou favorável a que as pessoas decidam se querem ser vacinadas ou não. E sou favorável, e acho que o presidente também, a que entre as pessoas que quiserem ser vacinadas, a prioridade seja dada aos que têm comorbidades e os que têm mais idade — disse Crivella.

Na sabatina, Crivella também afirmou que suas antigas alianças eleitorais com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT) e com os ex-governadores Sérgio Cabral e Anthony Garotinho teriam seguido um "versículo" bíblico. Crivella fez campanha com Lula, Dilma e Cabral em 2010, quando concorreu a novo mandato ao Senado, e fez uma aliança com Garotinho em 2018, quando seu filho concorreu a deputado federal.

— Nós, evangélicos, temos um versículo que baseia nossa atividade na política: orai pelos vossos governantes. Orei pelo Lula, pela Dilma, mas ser aliado não significa ser cúmplice. Cúmplice é outra coisa. Quando acontecia qualquer coisa eu saía fora. Não teve um escândalo envolvendo meu nome, e olha que eu passei pela fornalha, pela cova dos leões — argumentou.

Crivella foi ministro da Pesca no governo Dilma, entre 2012 e 2014, e costumava defender partidos aliados ao PT na tribuna do Congresso. Em 2007, por exemplo, numa sessão comemorativa pelo aniversário do PCdoB, o então senador Crivella afirmou que "não há cartilha mais comunista do que o Evangelho". Perguntado sobre a declaração na sabatina da rádio Tupi, Crivella alegou que ela havia sido "tirada de contexto", mas afirmou ter cometido "o erro de tentar colocar remendo novo em pano velho".

Ao ser questionado sobre denúncias envolvendo seu governo, como a investigação do Ministério Público sobre um suposto "QG da Propina" e também a acusação de empregar funcionários do município para constranger pacientes e jornalistas na porta de hospitais, episódio conhecido como "Guardiões do Crivella", o prefeito chamou de "conversa fiada" quaisquer acusações de irregularidades.

— A maioria do povo que trabalha comigo são evangélicos. Você acha que eles vão intimidar alguém? — declarou Crivella.