EUA acusa China e Rússia de cooperar para divulgar mentiras sobre coronavírus

Estudantes usam máscaras sanitarias em sala de aula de uma escola em Xangai, na China, em 7 de maio de 2020

Os Estados Unidos acusaram a China e a Rússia nesta sexta-feira de aumentar sua cooperação para divulgar um relato falso da pandemia do novo coronavírus e disse que Pequim está cada vez mais aplicando técnicas aperfeiçoadas por Moscou.

"Mesmo antes da crise do COVID-19, tínhamos avaliado um certo nível de coordenação entre a Rússia e a República Popular da China no campo da propaganda", disse Lea Gabrielle, coordenadora de uma agência do Departamento de Estado responsável por de rastrear propaganda estrangeira. "Mas com essa pandemia, a cooperação se acelerou rapidamente", disse Gabrielle a jornalistas.

Segundo a coordenadora, esses dois países procuram influenciar a opinião pública para gerar um relato da pandemia que sirva "a seus próprios fins".

Esse setor do Departamento de Estado, o Global Engagement Center, havia relatado em fevereiro que milhares de contas vinculadas à Rússia nas redes sociais propagavam teorias de conspiração coordenadas, segundo as quais os Estados Unidos estão por trás do surto do vírus COVID-19.

A China também irritou os Estados Unidos quando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores escreveu um tuíte que, sem provas, afirmava que os militares dos EUA haviam trazido o coronavírus para Wuhan, cidade onde a pandemia se originou.

No final de março, e após uma conversa telefônica entre Donald Trump e Xi Jinping, as duas potências chegaram a uma trégua informal.

As tensões, no entanto, aumentaram novamente depois que o governo Trump acusou as autoridades chinesas de terem demorado a alertar o mundo para a pandemia e de ocultar sua extensão, apontando-as como "responsáveis" pela propagação planetária do vírus, pela morte centenas de milhares de pessoas e pela atual crise econômica sem precedentes.

Além disso, Trump e seu secretário de Estado, Mike Pompeo, insistem em suas suspeitas de que o vírus tenha se originado em um laboratório na China, algo que tanto a Organização Mundial de Saúde como o principal consultor científico da Casa Branca rejeitam por falta de provas.

Pompeo "não pode apresentar evidências", respondeu a diplomacia chinesa, "porque não tem nenhuma".

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se posicionou ao lado de Pequim ao denunciar nesta sexta-feira em uma ligação telefônica com Xi "as tentativas de certas forças de usarem a epidemia como pretexto para acusar a China", segundo a agência oficial da Xinhua. "A Rússia apoiará fortemente a China", acrescentou.

De acordo com o Global Engagement Center, a China voltou a intensificar sua campanha de informações on-line em defesa de sua gestão da pandemia, que matou 270.000 pessoas em todo o mundo.

"Pequim está se adaptando em tempo real e usando mais e mais técnicas que Moscou aplica há muito tempo", acrescentou Gabrielle.