EUA acusa China de tentar roubar investigações de vacinas COVID-19

Por Paul HANDLEY
Modelo do coronavírus SARS-CoV-2 em centro de pesquisa alemão, em 8 de maio de 2020

Autoridades dos Estados Unidos alertaram nesta quarta-feira (13) que hackers chineses tentaram roubar dados sobre tratamentos e vacinas contra o coronavírus, acirrando a controvérsia entre Washington e Pequim sobre a pandemia.

O FBI e a agência de segurança cibernética americana informaram que as organizações que investigam a COVID-19 correram o risco de serem alvo de ações da China.

Alertaram que especialistas em cibernética associados a Pequim tentaram apreender "propriedade intelectual valiosa e dados públicos relacionados a vacinas, tratamentos e testes de redes e funcionários relacionados à pesquisa COVID-19".

"As tentativas da China dirigidas a esses setores representam uma ameaça significativa à resposta de nossas nações à COVID-19", informaram as entidades sem dar exemplos ou evidências de suas alegações.

Mas o alerta foi adicionado à crescente discussão entre as superpotências sobre o surto que eclodiu na China no final do ano passado e matou pelo menos 293.000 pessoas, 80.000 delas nos Estados Unidos.

O presidente americano, Donald Trump, acusou a China de esconder a origem do vírus e de não cooperar com os Estados Unidos ou outros países nos esforços para controlar a doença.

Questionado na segunda-feira sobre relatos que indicam que Washington acredita que os hackers chineses estavam atentos às pesquisas dos Estados Unidos sobre uma vacina, Trump respondeu: "O que mais há de novo? Diga-me. Não estou feliz" com a China.

- Espiões e acadêmicos na mira -

O alerta desta quarta-feira também destacou que Washington acredita que a China tem aplicado amplos esforços para obter segredos comerciais tecnológicos dos Estados Unidos de todas as formas possíveis, impulsionada pelo objetivo do presidente Xi Jinping de tornar seu país um líder em tecnologia nesta década.

Em fevereiro, quatro soldados chineses foram processados pelos Estados Unidos por suspeitas de invadir a agência de classificação de crédito Equifax e apreender os dados pessoais de 145 milhões de americanos.

Os Estados Unidos acusaram recentemente vários acadêmicos, chineses e americanos, de crimes relacionados a essa suposta tentativa.

O Departamento de Justiça anunciou na segunda-feira a prisão de um professor da Universidade de Arkansas por esconder seus laços com o governo e as universidades chinesas enquanto trabalhava em projetos financiados pela Nasa.

Nesse dia, também um professor da Universidade Emory, em Atlanta, se declarou culpado de fraude fiscal em um caso focado em pagamentos recebidos secretamente da China.

O republicano Marco Rubio, membro do Comitê de Inteligência do Senado, disse que esses casos adicionados à crise do coronavírus forçaram a China a mudar de tática.

Pequim "aumentou os esforços para invadir as instituições médicas americanas para obter informações sobre a COVID-19", declarou.

- Corrida pela vacina -

A China negou repetidamente as acusações americanas.

"Somos líderes mundiais na pesquisa de tratamento e vacinas da COVID-19. É imoral fazer da China um alvo de rumores e difamação sem nenhuma evidência", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês na segunda-feira.

As advertências americanas ocorrem quando dezenas de empresas, institutos e países ao redor do mundo correm para desenvolver vacinas para o coronavírus.

Muitos outros grupos estão investigando tratamentos para os infectados. No momento não há terapia comprovada.

Uma vacina eficaz poderia permitir a reabertura total de muitos países, hoje confinados, e geraria milhões de dólares para seus criadores.

Muitos especialistas acreditam que a aprovação da vacina levará mais de um ano e muito mais para ser produzida em quantidade suficiente para inocular pelo menos parte dos habitantes do mundo.

Na terça-feira, os senadores republicanos propuseram legislação que habilitaria Trump a impor sanções à China se Pequim não oferecer uma "explicação completa" sobre o surto de coronavírus.