EUA acusa hackers chineses de tentar roubar dados sobre pesquisas da COVID-19

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Sede do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em Washington, DC, 22 de julho de 2019

Dois hackers chineses foram acusados de tentar roubar informações sobre projetos de vacina contra a COVID-19 e de violar a propriedade intelectual de empresas nos Estados Unidos e em outros países, informou o Departamento de Justiça americano nesta terça-feira (21).

Li Xiaoyu, de 34 anos, e Dong Jiazhi, de 33, também foram acusados de ataques a ativistas de direitos humanos dos Estados Unidos e de Hong Kong, segundo o assistente do procurador geral para a Segurança Nacional, John Demers, durante coletiva de imprensa em Washington, DC.

Supõe-se que os hackers estejam na China, fora do alcance da polícia americana.

Segundo a acusação, que tinha sido mantida em sigilo até agora, os dois hackers são culpados de "ter entrado de forma fraudulenta em computadores de todo o mundo e roubado terabytes de dados".

Demers explicou que os ataques tiveram como alvo empresas em dez países ocidentais, inclusive Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Alemanha e Bélgica, e "centenas de companhias, governos, organizações não governamentais e dissidentes, clérigos e ativistas democráticos e dos direitos humanos nos Estados Unidos e no exterior, inclusive Hong Kong e China".

Além disso, a acusação assegura que os dois homens forneceram às autoridades do seu país, entre outros dados, e-mails trocados por um dissidente chinês com o escritório do líder religioso tibetano Dalai Lama, e a senha de acesso ao e-mail pessoal de um ativista de Hong Kong.

"Os crimes cibernéticos dirigidos pelos serviços de inteligência do governo chinês ameaçam não apenas os Estados Unidos, mas também o resto dos países que apoiam o jogo limpo, as normas internacionais e o Estado de Direito", declarou, por sua vez, o sub-diretor do FBI, David Bowdich.

O procurador federal William Hyslop expressou, por sua vez, que os hackers atacaram empresas em todo o mundo.

"Os sistemas informáticos de muitas empresas, indivíduos e agências nos Estados Unidos e em todo o mundo foram invadidos e comprometidos, e há uma grande quantidade de segredos comerciais, tecnologias, dados e informações pessoais que foram roubados", denunciou Hyslop.

Segundo a investigação da justiça americana, os hackers se conheceram quando estudavam engenharia na China e juntos, a partir de 2009, roubaram segredos comerciais estimados em várias centenas de milhões de dólares. No entanto, até hoje não foram detidos.

Para praticar os crimes, eles aproveitaram falhas de segurança nos servidores e instalaram programas de informática maliciosos sem o conhecimento de suas vítimas, confiscando dados relacionados a satélites militares, painéis solares ou produtos químicos.

As autoridades não disseram se os dois homens conseguiram roubar dados do governo, mas também expressaram sua consternação pelos fatos.

"Nos preocupa que esta pirataria ou tentativa de pirataria retarde a investigação porque no caso de uma intrusão, a atenção se centra em encontrar um remédio para esta violação", reforçou Demers.