EUA acusa Rússia de querer subjugar Ucrânia 'congelando-a'

Os Estados Unidos disseram nesta sexta-feira (4) que a Rússia pretende congelar os ucranianos bombardeando suas usinas na iminência do inverno no hemisfério norte, dada a incapacidade de Moscou de segurar uma contraofensiva que obrigou a evacuação de civis da cidade conquistada de Kherson (sul).

"El presidente [Vladimir] Putin parece ter decidido que se não pode tomar a Ucrânia à força, tentará fazê-lo congelando o país até a submissão", afirmou o secretário de Estado americano, Antony Blinken, após a reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7 na Alemanha.

Nas últimas semanas, a Rússia bombardeou as instalações de energia da Ucrânia e, de acordo com o presidente ucraniano Volodimir Zelensky, mais de 4,5 milhões de pessoas foram privadas de eletricidade na quinta-feira devido a esses ataques.

O G7 das economias mais avançadas do mundo - Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Japão - concordou em criar um "mecanismo de coordenação" para ajudar a Ucrânia a consertar e defender sua infraestrutura crítica de eletricidade e água.

Antes da chegada do inverno, o grupo buscará, entre outras ações, entregar "bombas d'água, aquecedores, casas contêineres e banheiros portáteis, camas, cobertores e barracas", disse a chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, cujo país preside o G7.

O primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmygal, afirmou que o país se prepara para "todos os cenários", mas garantiu que, "atualmente, quase metade dos edifícios de toda a Ucrânia tem aquecimento".

Além disso, salientou que o país tem "reservas suficientes" de gás, com 14,5 bilhões de metros cúbicos acumulados, e até 700 geradores de doadores estrangeiros. Outros 900 estariam a caminho, acrescentou.

Os Estados Unidos também prometeram um pacote de ajuda de segurança de US$ 400 milhões para Kiev, que inclui a modernização de tanques T-72 e mísseis terra-ar HAWK.

A Ucrânia tem "uma necessidade urgente de defesa aérea", disse o conselheiro de segurança nacional do presidente Joe Biden, Jake Sullivan, que visitou a capital ucraniana.

- "Deportações" -

As tropas de Kiev recapturaram territórios no leste e sul da Ucrânia. A contraofensiva recentemente ganhou novo impulso na região sul de Kherson, uma das quatro que Moscou anexou no final de setembro.

Diante do avanço das tropas ucranianas, as autoridades impostas por Moscou nessa região e em sua cidade homônima evacuam diariamente "mais de 5 mil civis" para as margens do rio Dnieper.

Kherson foi uma das primeiras grandes cidades ucranianas conquistadas por Moscou no início da operação militar e, desde outubro, as autoridades de ocupação instam aos civis que deixem a área, transformada em uma "fortaleza" militar.

O número dois das autoridades de ocupação, Kirill Stremosov, disse que as forças ucranianas poderiam estar preparando "provocações" e "ações terroristas" contra a localidade.

O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou na Praça Vermelha de Moscou que os civis deviam "ser afastados" das áreas "perigosas" de combate.

O líder russo presidia uma breve cerimônia na Praça Vermelha para comemorar o Dia da Unidade Nacional.

- "49 mil novos recrutas" -

O líder russo garantiu que 318 mil recrutas tinham se inscrito desde que, em setembro, foi ordenada uma mobilização parcial - já concluída - para fazer frente à contraofensiva ucraniana.

O número supera a meta de 300 mil porque "continuam chegando voluntários", assegurou. Deste total, 49 mil já participam dos combates.

O recrutamento de Putin provocou uma onda de êxodo do país.

Putin também disse que quer restaurar os monumentos históricos nos territórios ocupados da ex-república soviética para que aqueles "que viveram sob uma propaganda louca e idiota durante 30 anos" conheçam a origem de "seus antepassados".

A ofensiva russa deixou milhões de deslocados na Ucrânia e milhares de mortos dos dois lados.

Enquanto isso, os países ocidentais pedem à Rússia que estenda o acordo sobre as exportações de grãos ucranianos, que deve expirar em 19 de novembro.

A Rússia voltou ao acordo na quarta-feira, após ter suspenso sua participação durante quatro dias por um ataque com drones à sua frota no Mar Negro.

Durante sua visita à China, o chefe do governo alemão, Olaf Scholz, também instou Putin a estender o pacto assinado em julho, que ajudou a aliviar a crise alimentar global desencadeada após a guerra.

"A fome não deve se tornar outra arma", disse Scholz, o primeiro líder do grupo G7 a visitar o gigante asiático desde o início da pandemia.

O acordo permitiu a exportação de 10 milhões de toneladas de cereais e outros produtos agrícolas desde 1º de agosto.

O chanceler alemão também pediu ao presidente chinês, Xi Jinping, que use "sua influência" sobre a Rússia para encerrar o conflito.

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