EUA acusam Rússia de crime de guerra por deportação forçada de ucranianos

Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos EUA na ONU

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os Estados Unidos acusaram Moscou nesta quarta-feira de cometer crime de guerra pela deportação forçada de ucranianos para a Rússia e disse que têm informação de que autoridades russas estão supervisionando as chamadas operações de filtragem.

A embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, disse ao Conselho de Segurança da entidade que as estimativas de fontes diferentes, incluindo Moscou, indicam que as autoridades “interrogaram, detiveram e deportaram de maneira forçada" entre 900.000 e 1,6 milhão de ucranianos para a Rússia desde o começo da invasão russa no fim de fevereiro.

Apenas em julho, Washington teve informações de que mais de 1.800 crianças foram transferidas de regiões controladas pelos russos na Ucrânia para a Rússia, disse Thomas-Greenfield.

"A transferência ou deportação forçada de pessoas protegidas de território ocupado para o território do ocupador... constitui crime de guerra", disse. "Então por que estão fazendo isso? Para preparar para uma tentativa de anexação."

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, disse que a reunião do Conselho foi uma perda de tempo e um "novo marco na campanha de desinformação lançada pela Ucrânia e seus aliados ocidentais".

Ele disse que ucranianos que viajam à Rússia "passam por um procedimento de registro, não de filtragem".

Nebenzia requisitou que o conselho se reúna novamente na quinta-feira para discutir "ameaças reais à paz e à segurança internacionais causadas pelo fornecimento de armas e bens militares de Estados estrangeiros para a Ucrânia".

Enquanto a Ucrânia diz que a invasão é uma guerra estilo imperial para assumir o controle de uma vizinha pró-Ocidente, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que quer assegurar a segurança russa e proteger cidadãos que falam russo, especialmente no leste da Ucrânia, onde a maioria dos combates estão acontecendo.

(Reportagem de Michelle Nichols e Kanishka Singh)