EUA admitem ação que matou civis na Síria

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acusadas de serem responsáveis por um ataque que matou 46 pessoas em uma mesquita na Síria, as forças militares dos Estados Unidos admitiram nesta sexta (17) que realizaram um ataque contra posições da rede terrorista Al Qaeda na região. Eles negaram, entretanto, que seu alvo fosse a mesquita.

Muitas vítimas da operação realizada na noite de quinta (16) no vilarejo de Al Jannah são civis, de acordo com a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

A coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, coordena ataques contra grupos extremistas na Síria e no Iraque desde 2014, o que já provocou a morte de centenas de civis.

"Não atacamos uma mesquita, mas sim um prédio que tínhamos como alvo, onde se realizava uma reunião [da Al Qaeda] e se situava a cerca de 15 metros de uma mesquita que ainda está de pé", disse o coronel John J. Thomas, porta-voz do Comando das Forças Americanas no Oriente Médio (Centcom).

O Centcom informou que "as forças dos EUA conduziram um ataque aéreo sobre um local de reunião da Al Qaeda no dia 16 de março em Idlib, Síria, matando vários terroristas". Posteriormente, o coronel Thomas admitiu que o ponto preciso do ataque não estava claro, mas que coincide com o local informado sobre a mesquita atingida.

"Vamos investigar as acusações de que este ataque provocou vítimas civis", disse o coronel.

Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório, informou que mais de cem pessoas ficaram feridas no ataque aéreo no vilarejo sob controle de grupos rebeldes.

"Ouvimos explosões quando a mesquita foi atacada. Foi logo depois da oração, momento em que, geralmente, acontecem aulas de religião para os homens", contou Abu Mohamed, morador do local.

"Quando cheguei, vi 15 cadáveres e muitos pedaços de corpos entre as ruínas. Alguns corpos eram impossíveis de identificar", disse.

Apesar do acordo de cessar-fogo estabelecido em dezembro de 2016 pela Rússia, principal aliada de Bashar al Assad, e pela Turquia, que apoia os rebeldes, a violência continua no país.