EUA evita crise da dívida, mas só até dezembro

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O líder da maioria democrata do Senado dos Estados Unidos, Chuck Schumer, em Washington (AFP/Olivier DOULIERY)

Os Estados Unidos evitaram temporariamente uma inadimplência catastrófica nesta quinta-feira (7), quando democratas e republicanos no Congresso chegaram a um acordo para aumentar o teto da dívida até dezembro.

"Tenho boas notícias", disse o líder democrata do Senado, Chuck Schumer, ao anunciar o acordo que dura até 3 de dezembro.

Depois de longas horas de negociações, disse que esperava que a proposta fosse votada "a partir de hoje".

Mas isso exigiria a unanimidade dos senadores, que não estava garantida no início da tarde por parte do lado republicano.

Portanto, a votação provavelmente terá que seguir o procedimento tradicional e será realizada no sábado, quando dez republicanos deverão apoiar urgentemente o acordo com os 50 democratas.

A Câmara dos Representantes, por sua vez, terá que aprovar esta medida para que o presidente Joe Biden possa promulgá-la.

Essa votação final só deve acontecer na próxima semana.

"O Senado avança para o plano que apresentei ontem para evitar que os americanos sofram uma crise criada" pelos democratas, afirmou por sua vez o líder dos senadores republicanos, Mitch McConnell.

"Republicanos e democratas e suas equipes negociaram toda a noite de boa fé", afirmou.

Com sua proposta, este veterano do Congresso ofereceu uma saída temporária para os dois lados, cada um em posições opostas.

Estimulada pela esperança de um acordo, Wall Street abriu em alta nesta quinta-feira.

Este avanço, no entanto, deixou vários republicanos indignados nesta quinta-feira, entre eles o ex-presidente Donald Trump, para quem Mitch McConnell "se inclinou" para os democratas.

- "Não resolve o problema" -

Mas os bloqueios não vão desaparecer.

Os republicanos se recusam energicamente a aprovar qualquer medida para aumentar o limite do endividamento do país, porque afirmam que seria como dar a Biden um cheque em branco para financiar seus enormes planos de investimento.

Esses planos, porém, ainda não foram aprovados pelo Congresso. O aumento do teto do endividamento será usado para reembolsar quantias já emprestadas, incluindo trilhões de dólares gastos sob o governo de Trump.

Ao oferecer um respiro temporário para evitar uma crise da dívida, McConnell pediu aos democratas que cheguem a uma solução duradoura usando um caminho legislativo complexo, até agora rejeitado pelo partido do presidente Biden.

A Casa Branca reagiu com indiferença a esse acordo.

"Isso nos dá algum tempo, mas não resolve o problema", comentou Jared Bernstein, um dos assessores econômicos do presidente. "Passar mais dois meses discutindo sobre isso não resolve a incerteza".

O acordo alcançado nesta quinta-feira adia até o final de novembro uma batalha parlamentar pelas finanças dos Estados Unidos que promete ser épica.

Paralelamente ao limite da dívida, o Congresso também terá que decidir antes de 3 de dezembro um novo orçamento, caso queira evitar a paralisação dos serviços federais, uma situação também conhecida como "desligamento do governo" ou 'shutdown'.

A confluência dessas duas ameaças pressagia semanas muito agitadas no Capitólio.

Os democratas esperam, no entanto, aproveitar este respiro no front financeiro para se concentrarem nas próximas semanas nas difíceis negociações no berço do próprio partido para adotar os dois grandes planos de investimento de Biden, em infraestrutura e em reformas sociais.

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