EUA anunciarão investimento privado anti-imigração de US$ 1,9 bilhão na Cúpula das Américas

Os Estados Unidos irão divulgar nesta terça-feira, durante a Cúpula das Américas, novos investimentos de US$ 1,9 bilhão de empresas americanas no Triângulo Norte da América Central, como forma de mostrar um compromisso liderado pela vice-presidente Kamala Harris que visa combater os problemas na raiz da imigração para os EUA.

Incluindo com Brasil: EUA querem 'dividir responsabilidade' sobre fluxo migratório

Contexto: Prioridades diferentes afastam Biden de líderes regionais na Cúpula das Américas

Cúpula das Américas: Brasil buscará ação conjunta nas áreas de energia e alimentos

O valor se soma a outros compromissos de Harris nesse sentido: desde a chegada do presidente Joe Biden à Casa Branca, o investimentos dos EUA, com o anúncio desta terça, chegará a US$ 3,9 bilhões na Guatemala, Honduras e El Salvador. No entanto, nenhum dos líderes desses países — vitais para a passagem migratória à América do Norte — estará esta semana em Los Angeles, na Califórnia, onde acontece a cúpula.

A vice-presidente vai anunciar nesta terça as dez empresas que se comprometem a fazer investimentos nos três países nos próximos anos. As companhias representam diferentes setores: agroalimentar, telecomunicações, têxtil, financeiro, energético e automotivo. Cada uma delas prometeu aumentar o número de funcionários e investimentos nos próximos anos.

Na segunda, um alto funcionário do governo americano afirmou que o objetivo dos investimentos vai além da criação de postos de trabalho.

— O apoio a indivíduos será dado em diferentes facetas. Não só no trabalho, mas também na conectividade, no acesso a serviços financeiros e no empoderamento das mulheres — disse um assessor da vice-presidente.

A Visa investirá US$ 270 milhões nos próximos cinco anos para expandir os serviços financeiros na região. A meta é acrescentar cerca de 6,5 milhões de pessoas e um milhão de pequenas empresas ao setor formal da economia por meio da adesão à rede de pagamentos digitais. A empresa de telecomunicações Millicom também se juntará ao mesmo objetivo. Sediada em Luxemburgo, investirá US$ 700 milhões nos próximos dois anos para aumentar o acesso à banda larga na Guatemala, em Honduras e em El Salvador.

A GAP, que já conta com 8.200 pessoas empregadas em suas confecções na região, comprometeu-se a criar mais 5 mil empregos, aumentando seu investimento a uma taxa de US$ 50 milhões por ano até 2025. SanMar, outra gigante na engenharia têxtil com mais de 60 mil clientes, aumentará as compras da região para US$ 500 milhões. Isso irá gerar, ainda de acordo com Washington, cerca de 4 mil empregos em sua fábrica principal, no departamento hondurenho de Cortés.

Harris vem sendo responsável por lidar com a crise de imigração ilegal que eclodiu no governo Biden após o democrata ter assumido o cargo. Porém, começou com um tropeço: em sua primeira viagem internacional, exatamente na América Central, em junho de 2021, a veterana política enviou uma mensagem clara aos emigrantes que preparavam a viagem ao norte: “não venham”. As palavras incomodaram nos setores mais progressistas do partido e a Casa Branca.

Apesar da polêmica gerada pela frase, já fazia um mês que Harris batia nas portas de grandes empresas americanas, somando apoios — e recursos — para frear o êxodo dos habitantes da região, afetados pela miséria, violência, mudanças climáticas e governos corruptos.

Human Rights Watch: ONG alerta para militarização de fronteiras enquanto Biden tenta acordo sobre migração

Empresas como Microsoft e MasterCard foram as primeiras a responder ao chamado. Outros seguiram em dezembro: a gigante agrícola Cargill, a PepsiCo, a Peet's Coffee e a têxtil Parkdale, além de outras. No total, 40 apoiaram o apelo da Casa Branca.

O esforço da vice-presidente também destaca o desenvolvimento das mulheres. Harris apresentará o programa "Em suas mãos", com o qual se pretende capacitar 1,4 milhão de mulheres latino-americanas para ocupar empregos nos setores de agronegócio, programação de computadores e desenvolvimento de micro e pequenas empresas.

Washington também se prepara para lançar um programa de bolsas, com recursos de US$ 50 milhões para jovens dos três países da área.

Ausência dos líderes

Os EUA minimizaram a ausência dos chefes de Estado dos países que devem se beneficiar desses investimentos.

— Todos esses países enviaram delegações, por isso consideramos que participarão da cúpula. As ausências não prejudicam a reaproximação com a região — disse um funcionário da Casa Branca.

Um assessor de Harris garante que a vice-presidente continua mantendo uma "relação muito boa" com a presidente de Honduras, Xiomara Castro. As duas conversaram por telefone no final de maio, quando discutiram "expandir as oportunidades econômicas na região". A presidente hondurenha, no cargo desde janeiro, assegurou que não iria a Los Angeles se Cuba, Venezuela e Nicarágua não fossem convidados.

Nem todas as ausências estão relacionadas à decisão dos EUA de não convidar os governos mais polêmicos da região. Outros, como o caso da Guatemala, preferiram evitar a cúpula por motivos diferentes.

— Não devemos nos envergonhar de nossos princípios anticorrupção. Essa é a razão pela qual alguns não vêm — disse um funcionário próximo a Harris, referindo-se ao cancelamento de Alejandro Giammattei, presidente da Guatemala.

Em maio, o secretário de Estado, Antony Blinken, informou a imposição de sanções à promotora guatemalteca María Porras por seu "envolvimento em importantes atos de corrupção". A punição imposta por Washington impede que ela entre em território americano. Logo após o anúncio, o governo centro-americano estendeu o mandato de Porras por mais quatro anos. Ela fora acusada de ter obstruído uma série de investigações iniciadas pelo escritório contra a impunidade sobre o presidente Giammattei e seu círculo próximo de empresários.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos