EUA apela por entrega de armas à Ucrânia para conter avanço russo no Donbass

Estados Unidos e Otan apelaram nesta quarta-feira (15) para que seja acelerada a entrega de armas à Ucrânia para impedir a tomada da região do Donbass (leste) pelas tropas da Rússia, que recebeu o apoio da China em assuntos de "soberania" e "segurança".

Em Bruxelas, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, pediu nesta quarta-feira aos países ocidentais que mantenham o compromisso com a Ucrânia e enviem as armas que Kiev solicita com veemência para resistir à invasão russa.

Quase cinquenta ministros de Defesa, incluindo o ucraniano Oleksiy Reznikov, participaram do encontro paralelo a uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Não podemos nos dar o luxo de cruzar os braços e não podemos perder força. O que está em jogo é muito grande. A Ucrânia enfrenta um momento crucial no campo de batalha", acrescentou.

O principal tópico de discussão é como atender à demanda por armas pesadas e em maiores quantidades para responder ao avanço russo sobre o Donbass.

"Bruxelas, estamos esperando uma decisão", tuitou Myjailo Podoliak, assessor da presidência ucraniana.

Horas depois, o presidente americano Joe Biden anunciou um novo envio de armamento para a Ucrânia, após uma conversa telefônica com o ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O envio, no valor de 1 bilhão de dólares, inclui artilharia, sistemas de defesa anti-navio, munição e sistemas avançados de mísseis já usados pela Ucrânia, disse Biden.

"Reafirmei meu compromisso de que os Estados Unidos estarão com a Ucrânia na defesa de sua democracia e sua soberania e integridade territorial diante de uma agressão russa não provocada", disse Biden, segundo um comunicado.

O presidente também anunciou 225 milhões de dólares em assistência humanitária para a Ucrânia.

O dinheiro será destinado a alimentos, água potável, suprimentos médicos e outros bens essenciais.

"A coragem, resiliência e determinação do povo ucraniano continuam a inspirar o mundo", disse Biden.

- Situação "muito crítica" -

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, destacou a "necessidade urgente" de aumentar as entregas de armas modernas à Ucrânia.

No entanto, Stoltenberg alertou que será preciso tempo para estrear as forças ucranianas no uso desse novo armamento.

"É um fato que, com a transição das armas da era soviética para as armas mais modernas da Otan, também precisaremos de um pouco de tempo para que os ucranianos estejam prontos para usar e operar esses sistemas", apontou em coletiva de imprensa.

Armas solicitadas pela Ucrânia incluem sistemas de lançamento de foguetes, prometidos pelos Estados Unidos e Reino Unido.

O ministro de Defesa britânico, Ben Wallace, disse nesta quarta-feira da Noruega que as entregas estão "próximas".

Os ucranianos também querem canhões de autopropulsão, como os canhões Caesar, de produção francesa.

A França entregou seis unidades a Kiev nas últimas semanas e a AFP viu nesta quarta-feira soldados ucranianos usando esses canhões para disparar contra alvos russos no Donbass.

A Rússia tenta interceptar as entregas de armas ocidentais e anuncia periodicamente que destruiu carregamentos fornecidos pela Otan.

- Apoio da China -

O presidente chinês Xi Jinping garantiu nesta quarta-feira ao russo Vladimir Putin o apoio de Pequim em questões de "soberania" e "segurança" durante uma conversa por telefone.

"A China está disposta a continuar o apoio mútuo com a Rússia em questões de soberania, segurança e outras questões de interesse fundamental e preocupações importantes", disse Xi, segundo um comunicado da agência oficial de notícias Xinhua.

A transcrição da conversa não dá exemplos específicos, como Ucrânia ou Taiwan.

Por sua vez, o Kremlin disse que os dois líderes concordaram em "expandir a cooperação nos campos de energia, financeiro, industrial, transporte e outros, levando em conta a situação econômica global que foi prejudicada por sanções ocidentais ilegítimas".

Os líderes russo e chinês também discutiram o "desenvolvimento das relações militares e técnico-militares", indicou a Presidência russa, que descreveu a conversa como "calorosa e amistosa".

Diante das sanções ocidentais, a gigante russa de hidrocarbonetos Gazprom anunciou nesta quarta-feira uma nova redução em suas entregas de gás para a Europa através do gasoduto Nord Stream, argumentando que foi forçada a paralisar equipamentos da fabricante alemã Siemens.

A redução do fluxo por esse gasoduto submarino que leva gás da Rússia à Alemanha pelo mar Báltico chega a 60% em dois dias.

A Alemanha considerou, no entanto, que a Gazprom buscava com essas medidas "aumentar o preço do gás".

- Bombardeios constantes -

As autoridades ucranianas admitiram que perderam o controle do centro de Severodonetsk, no Donbass, uma região já controlada em grande parte por separatistas pró-russos desde 2014.

Segundo o prefeito de Severodonetsk, Oleksandre Striuk, uma parte das tropas ucranianas está entrincheirada -com mais de 500 civis- em Azot, uma enorme planta química desta cidade de 100.000 habitantes.

A Rússia propôs nesta terça-feira abrir um "corredor humanitário" para evacuar os civis dos territórios controlados pelos russos. Kiev não confirmou esta informação.

Um líder separatista pró-russo acusou nesta quarta-feira os ucranianos de impedir a operação.

A presidência ucraniana confirmou que os ataques russos contra Severodonetsk e a vizinha Lysychansk continuavam, sem dar mais detalhes. Até agora, Kiev desmente que suas tropas estejam cercadas.

Assim como Severodonetsk, Lysychansk está praticamente vazia de habitantes e sem eletricidade.

"Os russos bombardeiam constantemente o centro da cidade", disse à AFP um polícia.

- "Sinais políticos claros" -

Kiev espera uma decisão antes de 24 de junho sobre sua solicitação de ser aceita como candidato oficial à adesão à União Europeia (UE), o que supõe o início de um processo e negociação que pode durar anos.

Segundo meios de comunicação alemães, o presidente francês Emmanuel Macron, cujo país exerce a presidência semestral da UE, visitará Kiev na quinta-feira ao lado dos chefes de governo da Alemanha, Olaf Scholz, e da Itália, Mario Draghi.

Esta será a primeira visita dos dirigentes das três principais economias europeias desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro.

"Creio que estamos em um momento no qual necessitamos enviar sinais políticas claros, como União Europeia, para a Ucrânia e o povo ucraniano, que está resistindo heroicamente há vários meses", disse Macron durante uma visita a uma base da Otan na Romênia.

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