EUA aplica sanções a banco cubano por beneficiar militares e favorecer a "interferência" na Venezuela

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(ARQUIVO) Nesta foto de 07 de agosto de 2020, um homem carrega um retrato do líder cubano Fidel Castro ao lado das bandeiras cubana e norte-americana em sua casa em Havana, em 29 de julho de 2020.

O governo americano acrescentou, nesta sexta-feira (1o), um banco cubano a sua lista de entidades sob sanção, alegando que "beneficia desproporcionalmente" os militares da ilha e ajuda a financiar a "ingerência" de Havana na Venezuela.

Essa medida ocorre em meio a especulações recentes de que o governo do presidente Donald Trump, em seus últimos dias à frente da Casa Branca, está considerando redesignar a ilha como um Estado patrocinador do terrorismo.

Em um comunicado, o Departamento de Estado americano anunciou a inclusão do Banco Financeiro Internacional S.A. (BFI) a sua Lista Restrita de Cuba, que proíbe, em geral, as transações financeiras diretas com as entidades listadas.

“O BFI é um banco comercial controlado pelos militares cubanos que se beneficia diretamente das transações financeiras às custas do povo cubano”, disse o secretário de Estado americano Michael Pompeo, em nota.

Segundo o chefe da diplomacia americana, o exército cubano usa as divisas do banco para "dar acesso preferencial às empresas militares e estatais, garantir taxas de câmbio vantajosas e financiar projetos controlados pelo governo que enriquecem o regime".

Assim, os lucros “beneficiam desproporcionalmente os militares cubanos (...) promovendo a repressão ao povo cubano e financiando a ingerência de Cuba na Venezuela”, acrescenta o texto.

O chanceler cubano Bruno Rodríguez reagiu no Twitter: a “nova medida punitiva do Departamento de Estado (...) visa reforçar um cerco econômico que não conseguiu destruir a Revolução cubana em 62 anos”.

Se isso acontecer, Cuba sofrerá obstáculos significativos ao investimento estrangeiro e poderá dificultar a diplomacia com o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

-Especulações -

De acordo com o The New York Times, o Departamento de Estado já preparou uma proposta para incluir Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo, mas não está claro se Pompeo a aprovaria.

Um porta-voz do Departamento de Estado se recusou a comentar sobre "possíveis deliberações sobre a designação" de Cuba.

Esta especulação já provocou há poucos dias uma reação do chanceler cubano, que reiterou uma frequente reclamação de que são os Estados Unidos que abrigam "grupos terroristas que atuam contra Cuba".

Esta posição é rejeitada pelos ativistas anticomunistas cubano-americanos.

Não está claro por que Pompeo incluiria Cuba na lista, mas no passado os Estados Unidos acusaram Havana de apoiar movimentos de esquerda no hemisfério ocidental, como o da Venezuela.

Washington mantém relações tensas com Caracas desde o governo do falecido presidente Hugo Chávez, e atualmente não reconhece seu sucessor, Nicolás Maduro.

O dia 3 de janeiro marcará o 60º aniversário da ruptura das relações entre os Estados Unidos e a ilha após a revolução.

As tensões bilaterais haviam diminuído com o presidente dos EUA, Barack Obama, que estabeleceu relações diplomáticas e retirou Cuba da lista de terroristas em 2015.

Biden, que foi vice-presidente de Obama, ao delinear a política que imagina com Cuba, indicou que deve relaxar algumas restrições mas vai insistir em questões de direitos humanos.

Apenas três países permanecem na lista negra dos EUA: Irã, Coreia do Norte e Síria, depois que Trump eliminou o Sudão no mês passado.

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