EUA apostam em força-tarefa contra corrupção na América Central

Alina DIESTE
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Migrantes centro-americanos aguardam após a deportação do Texas, EUA, rumo à mexicana Ciudad Juárez em 11 de março de 2021

Os Estados Unidos querem criar uma força-tarefa contra a corrupção na América Central, a fim de combater o que consideram "um problema endêmico" da região, anunciaram nesta sexta-feira funcionários do alto escalão do governo americano.

Juan González, assessor de América Latina no Conselho de Segurança Nacional, e Ricardo Zúñiga, enviado especial do Departamento de Estado para o Triângulo Norte centro-americano, assinalaram que o combate à corrupção é fundamental para garantir a estabilidade e prosperidade em Guatemala, El Salvador e Honduras, origem da maioria dos migrantes que chegam à fronteira sul dos Estados Unidos.

"O tema é endêmico na América Central e em toda a região, e um dos elementos que motivam a migração", disse González. "É algo muito central para o presidente Joe Biden, que se comprometeu a criar uma força-tarefa regional para lutar contra esse flagelo."

González explicou que o governo Biden busca iniciar um processo com o Congresso americano, a sociedade civil, o setor privado e os governos dos três países para garantir que o esforço da força-tarefa seja "colaborativo, e não apenas imposto pelos Estados Unidos".

- 'Decepcionante' -

A ideia de uma força-tarefa contra a corrupção surgiu após a dissolução da Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (Cicig) e a Missão de Apoio contra a Corrupção e a Impunidade em Honduras (Maccih). Criada em 2006, após um acordo entre a ONU e o governo de Oscar Berger, a Cicig funcionou até 2019. Já o mandato da Maccih, fundada em 2016 por um convênio entre a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o governo de Juan Orlando Hernández, foi rescindido em 2020.

Ricardo Zúñiga destacou que a Comissão Internacional contra a Impunidade em El Salvador (Cicies), selada entre a OEA e o governo de Nayib Bukele em 2019, "é uma ferramenta que ajuda a fortalecer o Estado de Direito".

A força-tarefa regional apoiaria promotores comprometidos com a justiça, mas que estão sozinhos nesse esforço, explicou Juan González. Os Estados Unidos também aplicariam as "ferramentas" das quais dispõe para combater a corrupção, como a suspensão de vistos e o congelamento de ativos de indivíduos envolvidos em violações dos direitos humanos e lavagem de dinheiro do narcotráfico, assinalou.

González destacou a necessidade de lutar contra a corrupção para criar um ambiente favorável aos investimentos, assunto sobre o qual Biden e o colega da Guatemala, Alejandro Giammattei, conversaram e sobre o qual estão de acordo.

- Visita ao México -

Ricardo Zúñiga lembrou que o respeito ao Estado de Direito é central para que exista "dignidade, segurança e prosperidade" para os centro-americanos em seus países. Ele viajou esta semana ao México com González e Roberta Jacobson, coordenadora da Casa Branca para a fronteira sudoeste, a fim de discutir com autoridades locais "uma colaboração mais estreita" para promover o desenvolvimento na América Central e no sul do México, onde, segundo Zúñiga, existem "problemas estruturais".

"Foi uma conversa produtiva, construtiva e colaborativa. Os interesses dos Estados Unidos e do México estão alinhados no tema migratório, já que muitos migrantes também permanecem no México", disse González.

ad/dg/lb