EUA comemoram libertação de americanos no Irã e Líbano

O presidente e o premier do Líbano participam de reunião de gabinete no palácio presidencial

Os Estados Unidos comemoraram nesta quinta-feira a libertação de dois americanos presos no Irã e Líbano, e reiteraram que a libertação de seus prisioneiros no exterior é uma prioridade do governo.

A libertação mais simbólica foi a do ex-militar Michael White pelo Irã, em um momento de forte tensão entre Washington e Teerã. O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, anunciou que White foi libertado hoje graças a uma autorização por motivos "médicos e humanitários", sob a condição de não deixar o país.

White estava detido desde 2018 no Irã, onde foi capturado enquanto visitava a namorada. A Justiça local o condenou a 13 anos de prisão em março de 2019, por insultar o aiatolá Ali Khamenei, guia supremo do Irã, e por ter divulgado fotos pessoais nas redes sociais, segundo seu advogado.

O presidente Donald Trump também anunciou a libertação de Amer al-Fakhoury, americano-libanês preso por mais de seis meses no Líbano acusado de tortura, que está "a caminho" dos Estados Unidos. Ex-integrante de uma milícia pró-Israel, Fakhoury exilou-se há mais de 20 anos nos Estados Unidos. Ao retornar ao Líbano, em setembro, foi preso e processado pela Justiça militar.

"Trabalhamos muito duro para libertá-lo", disse Trump durante entrevista coletiva sobre a crise do novo coronavírus. "Agradeço ao governo libanês por trabalhar conosco. Com câncer em estágio avançado, Fakhoury poderá, agora, ter a família a seu lado", continuou Trump, afirmando que "a libertação de americanos presos no exterior" é uma das prioridades do seu governo.

Fakhoury era membro do antigo Exército do Sul do Líbano (ESL), milícia cristã predominantemente armada e financiada por Israel que ocupou o sul do Líbano até o ano 2000. Segundo uma fonte militar, ele foi condenado à revelia por "colaboração" com Israel. Ao seu retorno, um tribunal militar o acusou de ter ordenado atos de tortura contra detidos na prisão de Kiam, administrada pelo ESL.

Ex-detidos, principalmente libaneses e palestinos, manifestaram-se em setembro ante o Ministério da Justiça em Beirute acusando-o de ter sido um "carniceiro".

A Anistia Internacional e outros grupos de defesa dos direitos humanos acusaram reiteradamente o ESL de torturar seus prisioneiros. Nos Estados Unidos, foi organizada uma campanha para defendê-lo, principalmente por iniciativa da senadora democrata Jeanne Shaheen, que comemorou hoje a sua libertação.