Mattarella pede ao M5S que busque apoios na centro-esquerda para governar

Roma, 23 abr (EFE).- O chefe de Estado italiano, Sergio Mattarella, encarregou nesta segunda-feira ao presidente da Câmara Baixa, Roberto Fico, do Movimento 5 Estrelas (M5S), que busque apoios no Partido Democrata, de centro-esquerda, para governar e acabar com o atual bloqueio.

No encontro com Fico no Palácio do Quirinal, sede da Presidência, Mattarella pediu que sondasse o Partido Democrata (PD) para tentar conformar uma maioria no Parlamento que permita ao M5S governar.

O membro do M5S e presidente da Câmara de Deputados deverá revelar os resultados de seu "mandato exploratório" antes da próxima quinta-feira, indicou em um breve comparecimento perante os veículos de imprensa o secretário-geral da Chefia do Estado, Ugo Zampetti.

Durante a saída da reunião, Fico explicou que irá trabalhar com esse objetivo "imediatamente" e considerou que "o ponto fundamental" para achar um acordo com o PD é "partir dos temas e do programa, pelo interesse do país".

Está previsto que durante a tarde o presidente da Câmara Baixa mantenha uma reunião com o primeiro-ministro interino do país, Paolo Gentiloni, do PD.

Mattarella procura assim desbloquear a situação política da Itália após as eleições de 4 de março, nas quais nenhum partido obteve maioria suficiente para governar, depois da frustrada negociação entre o M5S e a coalizão de direita, as duas forças mais votadas nessas pleito.

O M5S, que foi o partido mais votado, buscou um acordo com a Liga Norte de Matteo Salvini, mas por enquanto este não ocorreu, dada a recusa da primeira dessas formações a pactuar com um dos integrantes da aliança conservadora, a Forza Itália de Silvio Berlusconi.

Nem sequer a mediação da presidente do Senado, a conservadora Elisabetta Alberti Casellati, serviu para acercar posturas entre as duas forças, já que o candidato do M5S, Luigi dei Maio, garantiu que Berlusconi é "um limite" que não está disposto a aceitar.

Fico deverá agora se dirigir ao PD, que perdeu o pleito após governar o país durante os últimos cinco anos e que por enquanto tem se mantido firme na decisão de permanecer na oposição e não apoiar nem a direita e nem o M5S em suas aspirações de formar gabinete. EFE