EUA: Congresso mantém em sigilo informações sobre torturas da CIA

O diretor da Agência Central de Inteligência, Mike Pompeo, em Washington DC, em 13 de abril de 2017

A Suprema Corte americana se negou, nesta segunda-feira (24), a considerar um recurso de defensores dos direitos humanos, que exigiam a publicação completa de um informe do Senado sobre o uso da tortura por parte da CIA.

"Trata-se de um golpe muito decepcionante para a transparência", afirmou Hina Shamsi, da ACLU, a mais influente organização de defesa dos direitos civis nos EUA, que apresentou o recurso.

Negando-se a considerar o caso, a Suprema Corte deixa em vigor uma sentença de um tribunal federal de Washington, segundo a qual o informe do Comitê de Inteligência do Senado não estava submetido às normas em vigor em matéria de liberdade de informação.

Com mais 6.000 páginas, o documento reflete uma ampla investigação legislativa sobre o polêmico programa de detenções secretas e interrogatórios agressivos da CIA, adotado após os atentados do 11 de Setembro, no governo George W. Bush.

O relatório foi classificado como "segredo de defesa" e apenas um resumo de cerca de 500 páginas foi tornado público em dezembro de 2014.

O documento revela várias práticas adotadas pela agência para prender e interrogar, extrajudicialmente, suspeitos de vínculos com a rede Al-Qaeda.

Os detentos permaneciam, por exemplo, amarrados no escuro durante dias, sendo jogados contra a parede, mergulhados em água gelada, além de sofrerem privação de sono por uma semana e serem agredidos física e psicologicamente.