EUA considera "inaceitável" uma ofensiva turca contra os curdos na Síria

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper (es), em reunião com colega neozelandês, Ron Mark, em Auckland

Uma eventual ofensiva da Turquia contra os curdos sírios na região nordeste da Síria é "inaceitável" para os Estados Unidos, que impedirá qualquer "incursão unilateral" turca, afirmou em Tóquio o novo secretário de Defesa americano, Mark Esper.

A Turquia está negociando com os Estados Unidos a eventual criação de uma "zona de segurança" nas zonas controladas pelos americanos no norte da Síria com o objetivo de separar a fronteira turca de determinadas posições curdas.

Nos últimos dias a Turquia afirmou diversas vezes que, se não considerar as propostas americanas "satisfatórias", pretende iniciar uma operação na Síria para criar a "zona de segurança" de forma unilateral.

"Consideramos que qualquer ação unilateral de sua parte seria inaceitável", advertiu Esper no avião que o levava a Tóquio, a terceira escala de uma viagem internacional, após visitas à Austrália e Nova Zelândia.

"O que tentamos fazer é alcançar com eles um acordo que responda a suas inquietações", completou o chefe do Pentágono.

A Turquia voltou a pedir na segunda-feira ao governo dos Estados Unidos que pare de apoiar as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão de combatentes curdo-árabes que luta ao lado dos ocidentais contra os o grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria.

No domingo, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou iniciar uma ofensiva contra posições das Unidades de Proteção do Povo (YPG, componente curdo das FDS) ao leste do Eufrates.

A Turquia considera as YPG como um "grupo terrorista" que coloca em risco sua segurança nacional.

"Não temos nenhuma intenção de abandonar as FDS", declarou Esper.

"O que faremos será impedir incursões unilaterais, que seriam contrárias aos interesses que compartilhamos (EUA, Turquia e as FDS) no que diz respeito ao norte da Síria", completou.

Esper indicou que as negociações entre Washington e Ancara para a implantação da "zona de segurança" prosseguem e "avançaram em alguns pontos, os mais importantes".