EUA define equilíbrio político com eleição de senadores na Geórgia

Elodie CUZIN com Jerome CARTILLIER em Washington
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O presidente Donald Trump discursa em Dalton, na Geórgia, em 4 de janeiro de 2021

Os eleitores da Geórgia comparecem às urnas, nesta terça-feira (5), para uma eleição que decidirá o destino do Senado dos Estados Unidos e que terá um impacto profundo nos primeiros anos de mandato do futuro presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, que pretende romper com a linha de administração de Donald Trump.

"Os locais de votação estão abertos. Votem!", tuitou o candidato democrata Jon Ossoff que, ao lado de Raphael Warnock, espera surpreender e conceder a seu partido o controle do Senado.

"O futuro do nosso país está em jogo, é a última linha de defesa para nosso modo de vida", afirmou David Perdue, um dos dois senadores republicanos, que busca a reeleição ao lado de Kelly Loeffler, em declarações ao canal Fox News.

Caso os dois candidatos democratas derrotem os atuais senadores republicanos, o partido de Biden assumirá o controle do Senado. E, ao tomar posse em 20 de janeiro, Biden terá maioria no Congresso para aplicar seu programa.

A disputa promete ser acirrada, e os resultados definitivos podem demorar vários dias.

A importância das eleições no estado do sul do país é refletida nos gastos de campanha: 832 milhões de dólares, segundo o Center for Responsive Politics, um organismo independente que analisa os valores investidos pelos partidos políticos.

Mais de três milhões dos sete milhões de eleitores registrados votaram de maneira antecipada, um recorde para eleições parciais do Senado na Geórgia.

A mobilização está à altura do que está em jogo, pois tanto o presidente eleito Biden como Trump viajaram na segunda-feira para a Geórgia para fazer campanha por seus candidatos.

O "estado pode mudar o rumo não apenas dos próximos quatro anos, mas também para a próxima geração", declarou Biden durante um comício em Atlanta.

Uma perspectiva que preocupa os republicanos, que voltaram a mencionar o fantasma de um governo "radical" e "socialista" até o fim da campanha, marcada por um grande comício de Trump.

Estas eleições parciais podem ser a "última oportunidade de salvar os Estados Unidos que amamos", declarou a seus simpatizantes o presidente, que se nega a admitir a derrota dois meses depois das eleições.

Apesar da pressão de Trump, as autoridades republicanas da Geórgia confirmaram a vitória de Biden no estado.

Mas, em Dalton, uma zona rural e conservadora do noroeste da Geórgia, os seguidores de Trump se mostraram convencidos de que o republicano venceu as eleições. Assim como o presidente republicano, eles denunciam fraudes sem apresentar provas.

As acusações não impedirão, no entanto, que votem nesta terça-feira nos candidatos republicanos.

Os dois candidatos republicanos são considerados favoritos na conservadora Geórgia. Perdue ficou perto de 50% na disputa com Jon Ossoff na primeira votação. E, ainda que Warnock tenha superado Loeffler em novembro, ela agora pode se beneficiar do apoio de um rival republicano eliminado.

- Uma disputa apertada -

Os democratas acreditam, no entanto, que conseguirão vencer as disputas para o Senado, estimulados pelo triunfo apertado de Biden na Geórgia, em 3 de novembro, o primeiro do partido no estado desde 1992.

Para isto, eles precisam de uma grande mobilização dos eleitores afro-americanos, fundamentais para a legenda, e esperam que alguns republicanos moderados não compareçam às urnas, desalentados por todas as acusações de fraude.

Uma previsão de resultado é muito difícil. As poucas pesquisas realizadas mostram uma disputa muito acirrada e, talvez, seja necessário aguardar vários dias para conhecer os resultados definitivos.

Na quarta-feira, o Congresso americano se reunirá para registrar formalmente os votos eleitorais obtidos por Biden e por Trump nas eleições de novembro (306 contra 232).

A obrigação constitucional é um mero protocolo, mas a recusa de Trump de reconhecer os resultados deve transformar a cerimônia deste ano em algo distinto.

Embora vários pesos pesados republicanos, incluindo o líder no Senado, Mitch McConnell, tenham admitido a vitória de Biden, o atual presidente ainda conta com o apoio de dezenas de congressistas.

Tanto na Câmara de Representantes como no Senado, os congressistas fiéis a Trump prometeram expressar na quarta-feira acusações de fraude.

E, durante a sessão, os olhos estarão voltados para o vice-presidente Mike Pence que, segundo o protocolo, será o responsável por declarar Biden como vencedor no Congresso.

"Espero que nosso grande vice-presidente nos apoie", disse Trump. "Se ele não fizer isto, não gostarei tanto dele", completou.

Uma grande manifestação de apoio a Trump foi convocada para quarta-feira na capital americana.

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