EUA destaca 'grande avanço' em cuidados com migrantes menores

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Sob supervisão de adultos, crianças migrantes de 3 a 9 anos assistem televisão no principal centro de detenção para menores desacompanhados em Donna, Texas

O governo americano destacou nesta segunda-feira (24) um "grande avanço" no cuidado com migrantes menores de idade que chegam à fronteira sul do país desacompanhados e sem documentos, a maioria procedente do Triângulo Norte centro-americano.

"Fizemos um grande avanço para poder cuidar de todas as crianças que estão sob nossa custódia", disse Xavier Becerra, secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), encarregado de atender os menores de 18 anos sem status migratório legal nos Estados Unidos.

"Estamos cuidando das crianças responsavelmente", assegurou.

Durante uma teleconferência com jornalistas, Becerra disse que os menores, a maioria com mais de 12 anos e sem falar inglês, recebem alojamento "seguro e limpo", comida e check-ups médicos, assim como atividades educacionais e recreativas e, se quiserem, serviços religiosos.

"Estas crianças vêm estressadas e sofreram um trauma real, e estamos fazendo tudo o possível, enquanto estão temporariamente aos nossos cuidados, para nos assegurarmos de ajudar a abordar isso da melhor forma que pudermos", destacou.

Becerra disse que foram tomadas medidas depois de se saber que menores migrantes detidos no Texas, entre eles um hondurenho de 15 anos, precisaram dormir em ônibus no estacionamento de um centro de convenções transformado em abrigo de emergência em Dallas.

"Foram feitas correções para nos assegurarmos de que algo assim nunca volte a acontecer", afirmou.

A administração do presidente Joe Biden, que assumiu o cargo em janeiro, reverteu a política de seu antecessor, Donald Trump, de expulsar os menores que chegavam sozinhos à fronteira com o México, permitindo sua entrada ao país e facilitando que se reencontrem com familiares residentes nos Estados Unidos.

Cerca de 20.000 menores migrantes desacompanhados estavam sob custódia do governo até a quinta-feira passada, dos quais mais de 19.000 a cargo do HHS após serem transferidos do Escritório de Alfândega e Proteção Fronteiriça dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês). Três semanas antes, havia quase 24.000, dos quais mais de 22.500 estavam em abrigos supervisionados pelo HHS.

Becerra destacou que o governo busca que as crianças e os adolescentes possam ir morar o quanto antes com adultos que se comprometam com seus cuidados. Mas o processo é complexo porque está projetado para proteger a integridade dos menores e para alguns leva mais tempo.

"Houve casos no passado, não sob a nossa supervisão, em que descobrirmos que os menores foram vítimas de tráfico por aqueles que receberam sua custódia. Não vamos deixar que isto aconteça", disse.

Mais de 178.000 pessoas sem documentos cruzaram a fronteira sul dos Estados Unidos em abril, 3% a mais com relação a março, totalizando o número mais alto em um mês em duas décadas, segundo o CBP. Destes, 44% eram de Guatemala, El Salvador e Honduras.

Republicanos opositores ao governo denunciaram uma crise na gestão dos migrantes, enquanto legisladores democratas e ativistas questionaram a atenção aos menores, denunciando condições sanitárias deficientes.

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