EUA divulgam hoje PIB do 2º tri e tiram principal dúvida do mercado: o país está em recessão?

Analistas e investidores estarão atentos à divulgação de estatísticas oficiais da economia americana hoje para responder a uma pergunta que paira sobre mercados em meio à alta dos juros pelo Fed, o banco central dos EUA: o país já está em recessão? A resposta influencia todo o mundo.

Os Estados Unidos vão conhecer hoje os números do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. A maior economia do mundo pode ter conseguido um crescimento modesto e evitado um segundo resultado negativo consecutivo (no primeiro trimestre, o recuo foi de 1,4%, o primeiro desde 2020), mas em um ritmo moderado o suficiente para alimentar as preocupações de uma contração mais à frente.

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A economia pode ter crescido apenas o suficiente para evitar a chamada recessão técnica (definida como dois trimestres consecutivos de contração econômica), mas as previsões dos economistas variam muito. Aproximadamente um terço deles acham que o PIB caiu, segundo pesquisa da agência Bloomberg cujas estimativas variam de uma queda de 2,1% a um avanço de 2%.

Boa parte dos economistas estima que o PIB do país teve um crescimento anualizado de 0,4% no período, uma melhora em relação à queda de 1,6% no primeiro trimestre. No entanto, a composição do PIB americano no segundo trimestre pode mostrar uma desaceleração mais preocupante da demanda no país em resposta ao aperto monetário promovido pelo Fed para conter a inflação.

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O declínio no primeiro trimestre resultou em grande parte de um aumento nas importações e um ritmo de consumo mais moderado. Enquanto é provável que uma redução do déficit comercial no segundo trimestre tenha impulsionado o PIB, os gastos dos consumidores se desaceleraram ainda mais, tudo indica.

Investimentos empresariais menores, um mercado imobiliário mais fraco e um ritmo mais lento de crescimento de estoques também podem ter afetado o PIB do período de abril a junho.

-- Uma coisa que estamos observando é a rapidez com que a atividade subjacente está desacelerando -- disse Andrew Hollenhorst, economista-chefe para EUA no Citigroup. -- Os economistas podem debater o que é uma recessão, mas no final das contas, se as empresas e os indivíduos acreditam que há uma recessão, é assim que eles se comportarão.

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Mesmo que o relatório de quinta-feira mostre que o PIB cresceu, aumentam os temores de que a inflação alta e um Federal Reserve determinado a contê-la acabarão por levar a economia a uma recessão.

O Fed embarcou na campanha de aperto mais agressiva desde a década de 1980 e voltou a aumentar as taxas de juros em mais 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira. No anúncio, há destaque de que o Fed está altamente comprometido em trazer a inflação de volta para a meta de 2% ao ano. Taxa agora está no intervalo entre 2,25% e 2,5%.

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Gasto do consumidor

Os gastos do consumidor, o principal indicador de atividade da economia dos EUA, serão a parte mais importante do relatório para muitos. Economistas projetam que os gastos desaceleraram ainda mais no segundo trimestre para uma taxa anualizada de 1,2%. Gastos ajustados à inflação caíram em maio contra o mês anterior, e as despesas de junho devem ter ficado estáveis.

Economistas previam há muito tempo uma mudança nas compras, mas não está claro até que ponto os gastos com serviços podem se manter firmes diante da disparada de preços.

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Investimento

O exemplo mais claro do impacto dos aumentos de juros do Fed está no mercado imobiliário, algo que deve ficar claro no relatório de PIB desta quinta-feira. O custo mais alto de financiamento imobiliário sufocou a demanda, aumentando o estoque e levando alguns compradores a desistir de negócios.

Michael Feroli, economista-chefe para EUA no JPMorgan, espera que o investimento das famílias tenha caído a uma taxa anualizado de 13,5% no segundo trimestre. Esse seria o declínio mais acentuado desde o início da pandemia. Ao mesmo tempo, espera-se que o ritmo do investimento empresarial esfrie significativamente.

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Estoques e comércio exterior

Um crescimento mais lento nos estoques em comparação com os primeiros três meses do ano deve ser um enorme obstáculo para o crescimento do segundo trimestre.

Mas as exportações líquidas devem ajudar o crescimento pela primeira vez em dois anos. As exportações provavelmente aumentaram no segundo trimestre - depois de cair no primeiro trimestre - enquanto as importações subiram em um ritmo mais lento, disse Feroli.

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