EUA diz ser cedo demais para retomar acordo nuclear iraniano

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O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, fala em sua primeira coletiva de imprensa diária no Departamento de Estado em Washington, DC, em 2 de fevereiro de 2021

Os Estados Unidos consideram ser cedo demais para aceitar a proposta do Irã de que a União Europeia intervenha para relançar o acordo nuclear iraniano, afirmou nesta terça-feira (2) o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

O governo do presidente Joe Biden "consultará nossos aliados, nossos sócios, e o Congresso antes de chegar o momento em que discutiremos diretamente com os iranianos e estaremos dispostos a considerar qualquer tipo de proposta", disse Price, reiterando os apelos de Washington a que Teerã respeite os termos do acordo alcançado em 2015.

Biden quer voltar ao pacto que visa impedir Teerã de se munir de armas atômicas e do qual seu antecessor Donald Trump retirou os Estados Unidos em 2018 alegando que suas disposições eram insuficientes, restaurando e até endurecendo as sanções americanas contra Teerã.

Mas Biden quer que o Irã mais uma vez cumpra os compromissos que foram interrompidos em resposta ao restabelecimento das sanções, enquanto Teerã exige que Washington suspenda essas medidas primeiro.

Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif, pediu à União Europeia que administre o retorno de Teerã e Washington ao acordo nuclear.

Um porta-voz disse em Bruxelas nesta terça-feira que a UE, que coordena a implementação do acordo de 2015, está trabalhando ativamente com o governo Biden para fazer os Estados Unidos suspenderem as sanções ao Irã.

Ele também indicou que o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, está "trabalhando muito para colocar o acordo de volta nos trilhos".

Embora Price não tenha excluído a proposta de Zarif, ele a considerou prematura por enquanto.

"Se o Irã retornar totalmente às suas obrigações sob o JCPOA, os Estados Unidos farão o mesmo", disse Price.

Ele também observou que a questão nuclear iraniana é "um desafio que não pode esperar" e que os Estados Unidos devem "enfrentá-lo imediatamente".

Os Estados Unidos revelaram sua "preocupação" após o anúncio de um novo teste para o lançamento do satélite iraniano, considerando que este poderia colaborar no desenvolvimento de mísseis balísticos.

O Ministério da Defesa iraniano anunciou na segunda-feira o teste de um novo lançador de satélite, equipado com um motor de combustível sólido "mais potente".

"Os Estados Unidos continuam preocupados com os esforços do Irã para desenvolver veículos lançadores espaciais (SLVs) para satélites", disse um porta-voz do Departamento de Estado à AFP.

Os SLVs "representam um sério risco de proliferação", pois "incorporam tecnologias idênticas às usadas em mísseis balísticos, incluindo mísseis de longo alcance, e são intercambiáveis com eles", acrescentou. "Esses testes permitem que o Irã ganhe experiência e aprimore essas tecnologias".

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