EUA dizem que vão investigar sumiço de jornalista saudita

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (11) que os Estados Unidos enviaram investigadores para ajudarem a Turquia a apurar o desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

"Estamos sendo muito duros. Mandamos investigadores para lá e estamos trabalhando com a Turquia, e francamente, estamos trabalhando com a Arábia Saudita. Queremos descobrir o que aconteceu", afirmou "‹à Fox News.

Questionado sobre uma reportagem do jornal The Washington Post segundo a qual a inteligência americana interceptou comunicações indicando um plano do príncipe saudita Mohammed bin Salman para deter o jornalista, Trump disse: "Isso seria muito triste, e saberemos em um futuro muito próximo".

No entanto, a Turquia negou que os EUA tenham enviado equipe ao país. O porta-voz da Presidência turca, Ibrahim Kalin, afirmou ter aceitado proposta saudita para que o caso seja investigado por um "grupo de trabalho" conjunto.

Como Khashoggi não é cidadão americano, o FBI não teria como entrar nas investigações a menos que houvesse um convite turco, afirmou o The New York Times.

Trump afirmou ainda que "não seria aceitável" um bloqueio às vendas de armas americanas para a Arábia Saudita em resposta ao caso.

Em sua primeira viagem internacional como presidente, Trump foi à Arábia Saudita e anunciou acordo de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 410 bilhões) para a venda de armas.

Seu governo também conta com o apoio saudita em vários aspectos de sua agenda para o Oriente Médio.

A declaração provocou reações de senadores republicanos, muitos dos quais assinaram carta pedindo que o governo Trump pressione por investigações e abrindo caminho para a possível aplicação de sanções contra autoridades sauditas.

"Se ficar provado que eles assassinaram um jornalista, isso mudará enormemente nossa relação", afirmou o senador Bob Corker, presidente da comissão de relações exteriores. "Se for o que todos achamos que é mas não temos certeza, terá de haver sanções significativas contra as mais altas esferas."

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, afirmou que o governo ainda "não tem certeza sobre o que aconteceu" com Khashoggi e que está "extremamente preocupado".

Ela afirmou também que diplomatas americanos entraram em contato com o embaixador da Arábia Saudita nos Estados Unidos, que retornou para seu país. "Esperamos ter algumas informações quando ele voltar", disse ela.

Em declarações ao jornal Hurriyet, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a Turquia não pode silenciar sobre o caso.

Khashoggi desapareceu no dia 2 de outubro após comparecer ao consulado da Arábia Saudita em Istambul para coletar documentos. Autoridades turcas pensam que ele foi morto dentro do edifício.

Autoridades sauditas afirmam não ter imagens de Khashoggi deixando o edifício.

Segundo o Post, a operação saudita envolvia enviar duas equipes com 15 homens, em dois voos privados, para Istambul, com o objetivo de atrair e deter o jornalista -espécie de "rendition", quando um alvo é capturado em um país e levado ilegalmente para outro para interrogatório.

Para a Turquia, qualquer que tenha sido o objetivo da operação, Khashoggi foi morto dentro do consulado. Imagens de câmeras de segurança mostram o jornalista entrando no prédio, mas não saindo.

O Post questiona ainda se os EUA souberam de antemão sobre a operação, mas não alertaram o jornalista. Segundo uma diretiva de 2015, agências de inteligência têm o "dever de alertar" pessoas que corram risco de sequestro, ferimentos graves ou morte.