EUA e Alemanha aprovam envio de dezenas de tanques pesados à Ucrânia

Os Estados Unidos e a Alemanha anunciaram, nesta quarta-feira (25), que enviarão tanques pesados à Ucrânia, deixando de lado hesitações de longa data com um contundente sinal de respaldo ocidental a uma contraofensiva capaz de fazer a Rússia recuar.

Em um discurso televisionado, o presidente Joe Biden prometeu 31 tanques Abrams, uma das armas mais poderosas e sofisticadas do exército americano.

Pouco antes, o chanceler Olaf Scholz deu luz verde ao envio pela Alemanha de 14 tanques Leopard 2, uma decisão que abre as portas para vários outros países europeus com esse tipo de tanque enviarem suas próprias contribuições.

Embora países ocidentais já tenham fornecido de tudo à Ucrânia, de artilharia a sistemas de defesa antimísseis Patriot, os tanques foram por muito tempo considerados um passo além, com o risco de uma reação cada vez maior da Rússia.

Mas com a Ucrânia se preparando para uma contraofensiva frente aos russos, cada vez mais arraigados no leste e no sul do país, os aliados agora se apressam para enviar este armamento vital.

Acompanhado de seus secretários de Estado, Antony Blinken, e de Defesa, Lloyd Austin, Biden disse que o aumento dos armamentos ocidentais para as forças armadas da Ucrânia não deve ser visto como um ataque à Rússia.

"Trata-se de ajudar a Ucrânia a defender e proteger seu território. Não é uma ameaça ofensiva à Rússia. Não há ameaça ofensiva à Rússia", declarou.

- “Provocação explícita” -

Os ucranianos, que há meses pressionam as capitais ocidentais para que acabem com as restrições a armas entregues para que suas tropas possam enfrentar os russos, mais fortemente armados, comemoraram a notícia.

O presidente Volodimir Zelensky classificou a promessa dos tanques Abrams como “um passo importante no caminho até a vitória”.

A Rússia deixou claro que enviar tanques pesados cruzaria uma nova linha perigosa.

O embaixador de Moscou nos EUA, Anatoly Antonov, afirmou que a aprovação de Washington para o fornecimento dos Abrams seria “outra provocação explícita contra a Federação Russa”.

E o embaixador da Rússia na Alemanha, Sergei Nechaev, também alertou que a “decisão extremamente perigosa leva o conflito a um novo nível de confronto e contradiz as declarações dos políticos alemães sobre a falta de vontade da Federação alemã de se envolver”.

Enquanto isso, a Rússia anuncia avanços em Bajmut, uma cidade do leste da Ucrânia que resistiu a meses de ataques.

O exército ucraniano, por sua vez, indicou à AFP que havia se retirado de Soledar, outra cidade do leste que a Rússia proclamou ter tomado no início deste mês.

- Relutância -

A Alemanha relutou em enviar Leopards ou mesmo permitir que outros países que haviam comprado os tanques os reexportassem para a Ucrânia.

Autoridades americanas disseram que não cederam à pressão alemã para que Washington se comprometesse a enviar os Abrams como forma de convencer Berlim a tomar uma decisão.

"A Alemanha não me forçou a mudar de ideia. Queria ter certeza de que estamos todos juntos", declarou Biden a repórteres.

As próprias autoridades americanas estavam indecisas sobre os Abrams, descrevendo esses tanques como muito complexos para os militares ucranianos.

Ao contrário dos tanques alemães, que estão prontos para envio, os M1 Abrams terão que ser adquiridos e levarão meses para chegar à Ucrânia, segundo um alto funcionário dos EUA.

- Mais ofertas e mais pedidos -

As decisões dos Estados Unidos e da Alemanha estimularam diversas ofertas novas. A Noruega ofereceu dois Leopards nesta quarta-feira e a Espanha disse que analisaria o que poderia enviar de seu próprio estoque do tanque de fabricação alemã. E a Polônia já prometeu ser um grande fornecedor.

Zelensky, por sua vez, já reivindicou também mísseis e aviões. "Deveriam possibilitar a entrega de mísseis de longo alcance para a Ucrânia. É importante. E também devemos ampliar nossa cooperação em artilharia e [possibilitar] o envio de aviões de combate", disse o presidente ucraniano.

Biden falou por telefone sobre a Ucrânia com os líderes do Reino Unido, França, Alemanha e Itália, informou a Casa Branca.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, saudou "fortemente" a decisão da Alemanha.

E o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki, que buscou abertamente a aprovação alemã para enviar os tanques, agradeceu a Berlim pela decisão, chamando-a de "um grande passo para deter a Rússia".

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