EUA e Alemanha se preparam para negociação sobre envio de tanques à Ucrânia

Tanques Leopard, de fabricação alemã, são entregues pela Alemanha à Eslováquia em Bratislava

Por Max Hunder e Andreas Rinke

KIEV/BERLIM (Reuters) - A Ucrânia pediu nesta quinta-feira que o Ocidente finalmente envie tanques pesados ao país, enquanto os chefes de Defesa dos Estados Unidos e da Alemanha se dirigem para uma discussão sobre armas que Kiev diz que podem decidir o destino da guerra.

O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, esteve na Alemanha nesta quinta-feira para se encontrar com o novo ministro da Defesa, Boris Pistorius, poucas horas depois de Pistorius assumir o cargo.

No dia seguinte, ambos se reunirão com dezenas de aliados para prometer armas à Ucrânia na Base Aérea de Ramstein, um encontro anunciado como uma chance de fornecer armas para mudar o ímpeto da guerra em 2023.

Bilhões de dólares em ajuda militar são esperados, e países como Canadá, Holanda e Suécia já anunciaram novos pacotes de veículos blindados e defesas aéreas. Mas o sucesso da reunião pode depender de tanques pesados, que Kiev diz precisar para se defender dos ataques russos e recuperar as terras ocupadas.

"Não temos tempo, o mundo não tem tempo", escreveu Andriy Yermak, chefe da administração presidencial ucraniana, no aplicativo de mensagens Telegram na quinta-feira.

"A questão dos tanques para a Ucrânia precisa ser encerrada o mais rápido possível", disse ele. "Estamos pagando pela lentidão com a vida de nosso povo ucraniano. Não deveria ser assim."

Uma grande promessa de tanques requer a resolução de um impasse entre Washington e Berlim, que até agora impediu os aliados de enviar seus tanques Leopard 2, usados pelas Forças Armadas de toda a Europa.

Washington e muitos aliados ocidentais dizem que os Leopards --que a Alemanha fabricou aos milhares durante a Guerra Fria e exportou para seus aliados-- são a única opção adequada disponível em números grandes o suficiente.

Uma fonte do governo alemão disse que Berlim retiraria suas objeções se Washington enviasse seus próprios tanques Abrams. Autoridades norte-americanas dizem que o Abrams, que funciona com potentes motores a turbina, usa muito combustível, complicando o sistema logístico de Kiev para manter muitos deles abastecidos no front.

Polônia e Finlândia já disseram que enviariam Leopards se a Alemanha suspendesse seu veto, e outros países indicaram que também estão prontos a fazê-lo. O Reino Unido aumentou a pressão quebrando o tabu sobre tanques pesados na semana passada, oferecendo um esquadrão de sua frota de Challengers, embora muito menos deles estejam disponíveis do que os Leopards.

A Alemanha tem relutado em enviar armas ofensivas que possam ser vistas como uma escalada do conflito. Muitos de seus aliados ocidentais dizem que a preocupação é equivocada, com a Rússia não mostrando sinais de recuar de seu ataque violento contra a Ucrânia.

Colin Kahl, o principal conselheiro político do Pentágono, disse na quarta-feira que os tanques Abrams provavelmente não serão incluídos no próximo pacote de ajuda militar de 2 bilhões de dólares de Washington, que será encabeçado pelos veículos blindados Stryker e Bradley.