EUA e China anunciam acordo sobre emissões em tentativa de salvar negociações climáticas da ONU

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Enviado dos EUA sobre o clima, John Kerry

Por Jake Spring e Valerie Volcovici

GLASGOW (Reuters) - Os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores de dióxido de carbono do mundo, anunciaram um acordo para intensificar a cooperação no combate às mudanças climáticas, incluindo o corte das emissões de metano, eliminação gradual do consumo de carvão e proteção das florestas.

O acordo foi divulgado pelo enviado dos EUA sobre o clima, John Kerry, e seu homólogo chinês, Xie Zhenhua, na conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) na Escócia, e foi considerado por ambos como uma forma de impulsionar o sucesso da cúpula.

O chefe da conferência havia reconhecido anteriormente que os compromissos dos países sobre o clima até agora nas negociações fariam muito pouco para domar o aquecimento global e fez um apelo para que trabalhassem para chegar a um acordo ambicioso nos dois dias restantes de negociações.

"Juntos, estabelecemos nosso apoio para uma COP26 bem-sucedida, incluindo certos elementos que promoverão a ambição", disse Kerry em entrevista coletiva sobre o acordo entre Washington e Pequim. "Cada passo é importante agora e temos uma longa jornada pela frente."

Falando por meio de um intérprete, Xie Zhenhua disse a repórteres que o acordo levaria a China a fortalecer suas metas de redução de emissões.

"Ambos os lados trabalharão em conjunto e com outras partes para garantir uma COP26 bem-sucedida e facilitar um resultado ambicioso e equilibrado", afirmou Xie.

Um primeiro esboço do acordo da COP26, divulgado no início do dia, obteve uma resposta mista de ativistas e especialistas do clima. Quase 200 países presentes em Glasgow têm até o encerramento da reunião de duas semanas, na sexta-feira, para chegar a um acordo sobre um texto final.

Em um reconhecimento implícito de que as promessas atuais são insuficientes para evitar a catástrofe climática, o esboço pede aos países que "revisitem e fortaleçam" até o final do próximo ano suas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa até 2030.

O chefe de política climática da UE, Frans Timmermans, disse à Reuters que o acordo EUA-China dá espaço para esperança.

"É realmente encorajador ver que aqueles países que estavam em desacordo em tantas áreas encontraram um terreno comum sobre o que é o maior desafio que a humanidade enfrenta hoje", declarou ele.

"Mostra também que EUA e China sabem que esse assunto transcende outras questões. E certamente nos ajuda aqui na COP a chegarmos a um acordo."

As negociações ainda devem ser acirradas nos próximos dois dias.

Enquanto alguns países desenvolvidos apontam o dedo para os principais poluidores, como China, Índia e Rússia, as nações mais pobres acusam o mundo rico de não cumprir promessas de ajuda financeira para lidar com a devastação da mudança climática.

Ao mesmo tempo em que as delegações discutiam sobre a redação da declaração final, Glasgow viu um grupo de países, empresas e cidades se comprometerem a eliminar os veículos movidos a combustíveis fósseis até 2040.

O objetivo geral da conferência é manter vivas as esperanças de limitar as temperaturas globais em 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais, o que está longe de ser alcançado com base nas promessas atuais de redução de emissões dos países.

Essa meta foi definida no marco do acordo de Paris de 2015. Desde então, cresceram as evidências científicas de que cruzar o limite de 1,5° C desencadearia aumentos do nível do mar, inundações, secas, incêndios florestais e tempestades significativamente piores do que as que já estão ocorrendo, com consequências irreversíveis.

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