EUA e China divergem na ONU sobre testes nucleares norte-coreanos

(Arquivo) A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield (AFP/TIMOTHY A. CLARY) (TIMOTHY A. CLARY)

Os Estados Unidos e a China divergiram nesta quarta-feira no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre como reduzir a tensão com a Coreia do Norte. Enquanto Washington pede mais sanções contra Pyongyang, Pequim quer uma redução das mesmas.

A reunião de emergência do conselho ocorreu após temores de que a Coreia do Norte retome seus testes nucleares nas próximas semanas.

"É hora de deter a ideia de permissividade tácita e começar a agir", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield. "Precisamos avançar rapidamente para o endurecimento das sanções, sem considerar afrouxá-las."

Linda rejeitou o projeto de resolução da China e da Rússia (que, como os Estados Unidos, são membros do Conselho com poder de veto) visando a aliviar as sanções impostas em 2017. Em vez disso, a embaixadora disse que estavam perto do fim das negociações de um texto separado dos Estados Unidos que atualiza as sanções.

"Não podemos esperar até que a Coreia do Norte empreenda atos mais provocativos, ilegais e perigosos, como testes nucleares. Precisamos nos manifestar", ressaltou a embaixadora.

O embaixador da China na ONU, Zhang Jun, chamou de preocupante a possibilidade de uma escalada e pediu moderação. Ele acrescentou que endurecer as sanções em uma atmosfera de desconfiança "não seria construtivo". "O que a China quer é evitar um novo teste nuclear", disse à AFP após a reunião.

"Conversar é melhor do que medidas coercitivas. Vimos muitas medidas coercitivas no mundo, na Síria, Iraque e Afeganistão. Vocês viram bons resultados? O que vimos foi apenas sofrimento humanitário", observou Zhang.

A embaixadora da Rússia, Anna Yevstigneeva, também defendeu a resolução que propôs com a China e pediu a retomada do diálogo.

Pyongyang aumentou drasticamente os lançamentos de mísseis, com mais de uma dúzia de testes de armas desde janeiro, incluindo o lançamento de um míssil balístico intercontinental de longo alcance pela primeira vez desde 2017.

A reunião de hoje do Conselho de Segurança ocorreu um dia após a posse do novo presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, que prometeu ser mais duro com Pyongyang.

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