EUA e europeus alertam que eleições na Síria 'não são livres nem justas'

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Cartazes de campanha eleitoral retratam o presidente sírio Bashar al-Assad, candidato às próximas eleições presidenciais, na capital, Damasco, em 25 de maio de 2021

Os Estados Unidos e várias potências europeias condenaram nesta terça-feira (25), antecipadamente, as eleições presidenciais na Síria da quarta-feira, afirmando que não serão "nem livres, nem justas".

"Instamos a comunidade internacional a rejeitar de forma inequívoca esta tentativa do regime de Assad de recuperar a legitimidade sem cessar suas graves violações dos direitos humanos ou de participar de forma significativa no processo político facilitado pela ONU com o objetivo de encerrar o conflito", disseram os ministros das Relações Exteriores de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França e Itália em uma declaração conjunta.

As eleições presidenciais organizadas na quarta-feira na Síria devem oferecer um quarto mandato consecutivo ao presidente Bashar al Assad, que quer ser o homem da reconstrução em um país falido após dez anos de uma guerra civil devastadora, e assim consagrar meio século de poder de seu clã familiar.

Os ministros dizem que querem "deixar claro" que as eleições "não serão livres nem justas".

"Denunciamos a decisão do regime de Assad de realizar eleições fora do quadro definido pela Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU e apoiamos as vozes de todos os sírios, incluindo organizações da sociedade civil e a oposição síria, que condenaram este processo eleitoral como ilegítimo", expressou o americano Antony Blinken, o alemão Heiko Maas, o britânico Dominic Raab, o francês Jean-Yves Le Drian e o italiano Luigi Di Maio.

"De acordo com a resolução, eleições livres e justas devem ser organizadas sob a supervisão da ONU respeitando os mais altos requisitos de transparência internacional", enfatizaram as autoridades, observando que "para ter credibilidade, a votação deve ser aberta a todos os sírios", incluindo os deslocados internos, refugiados e membros da diáspora.

Para os ministros dos Estados Unidos e dos quatro países europeus, “sem esses elementos, esta eleição fraudulenta não representa nenhum avanço para uma resolução política”.

A lei eleitoral exige que os candidatos tenham vivido na Síria por dez anos consecutivos antes das eleições, o que de fato exclui as figuras enfraquecidas da oposição no exílio.

A guerra na Síria deixou mais de 388.000 mortos e forçou milhões de seus cidadãos a irem para o exílio.

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